Os preços dos combustíveis abriram a semana em baixa, depois de o barril de petróleo marcar o valor mais alto desde o início da guerra. Ainda assim, gasóleo e gasolina continuam muito mais caros do que estavam no início da guerra... e assim devem continuar por mais alguns meses.
Esta segunda-feira trouxe descidas nos preços praticados nas bombas, em linha com o esperado. A expetativa era precisamente esta e, por isso, o Governo reduziu o desconto no ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos). Assim sendo, registaram-se decréscimos de 10 cêntimos por litro de gasóleo simples e 5 cêntimos por litro de gasolina 95.
Esta semana traz um alívio, mas encher o depósito de um carro continua muito mais caro do que até ao início de fevereiro, quando teve início a guerra entre EUA e Irão. É que, à data de 27 de fevereiro (sexta-feira anterior ao fim-de-semana em que aconteceram os primeiros ataques), o gasóleo estava nos 1,60 euros e a gasolina nos 1,685 euros por litro, de acordo com a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).
Os preços situam-se agora, em média, nos 1,75 euros e 1,87 euros por litro, respetivamente, na presente semana. Em causa estão, por isso, subidas na ordem de 9% e 11% face ao início da guerra.
Na origem estão as negociações dos contratos futuros de Brent, nos mercados financeiros internacionais. Esta é, de resto, a melhor bússola para inferir sobre o preço da matéria prima.
O barril voltou a baixar dos 80 dólares (tal como aconteceu na última quinta-feira, antes de uma subida no dia seguinte). Posto isto, está próximo dos níveis mais baixos desde o início da guerra, mas continua acima dos 72,50 dólares registados precisamente no encerramento do dia 27 de fevereiro.
De resto, 2026 começou com as negociações próximas de 61 dólares. O valor duplicou até ao final de abril, quando se registaram 122 dólares. O ano tem sido repleto de movimentações agressivas, em reflexo do corte na oferta disponível, devido à redução do fluxo de petróleo que atravessa o estreito de Ormuz (em condições normais, 20% do mercado global) e da especulação em torno de um acordo de paz (que parece agora mais próximo), que por vezes faz baixar os preços.
Não obstante a subida agressiva face a fevereiro, os sinais mais recentes são de alívio. É que as conversações entre EUA e Irão parecem desenrolar-se de forma afirmativa, o que permite uma redução das tensões (condicionado por Israel, que repete os ataques em países do Golfo) e a expetativa de aumento da quantidade de petróleo em todo o mundo.
A possibilidade decorre da possível reabertura do estreito de Ormuz, para a qual será necessário a Guarda Republicana do Irão levantar o bloqueio. Caso o faça, os navios que estão "presos" na região conseguirão finalmente sair, carregados com milhões de barris.
Dito isto, o preço do Brent encerrou a passada sexta-feira ligeiramente acima dos 80 dólares. A abrir esta semana, acabaria por baixar 3,30% para perto dos 77 dólares por barril, pelas 18h30 de segunda-feira.
De assinalar ainda que o aumento de petróleo nos mercados seria um contributo acentuado para a economia global, já que é crucial nas maiores economias do mundo, a começar pelas principais potências: EUA, China e Índia.
Não obstante, mesmo que se concretize um acordo de paz (que já foi assumido pelos mercados, pelo menos em parte), os preços (do Brent e, consequentemente, dos combustíveis), deverão continuar altos... mas há aqui um "senão".
É que os danos em infraestruturas da indústria petrolífera no Médio Oriente vão demorar meses para recuperar na totalidade. Dito isto, a quantidade de petróleo disponível não vai voltar ao nível inicial de um dia para o outro - deverá demorar vários meses.
Mas esta guerra não afeta só o mercado petrolífero. Também navios de transporte de gás natural estão impedidos de sair do estreito de Ormuz (também aqui falamos de 20% do mercado mundial), ao passo que infraestruturas de produção daquela fonte energética foram severamente afetadas.
Ainda assim, o impacto é menor do que acontece a respeito do mercado petrolífero. É que os preços dispararam no início do conflito mas, tal como no caso do petróleo, seguiram-se descidas. O impacto é de uma subida de 31%, em média, entre os países europeus, o que significa um acréscimo de aproximadamente 10 euros por megawatt hora (MWh), face aos registos de 28 de fevereiro.
Certo é que, tanto para petróleo como para gás natural, as novidades que chegam do Médio Oriente vão continuar a ser decisivas nas entradas e saídas de investidores e, por isso, nos preços praticados nas negociações. E é sempre o consumidor final quem paga as alterações.