Combustíveis terão aumento certo e elevado, mas não vão faltar

Próxima atualização seria de 13 cêntimos se a semana acabasse esta terça-feira. País tem reservas para 93 dias e está numa situação mais confortável no gás natural, porque compra em África.
Combustíveis terão aumento certo e elevado, mas não vão faltar
FOTO: Carlos Carneiro / Global Imagens
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Que os preços dos combustíveis vão aumentar, ninguém tem dúvidas. O alcance dessa subida, que se prevê elevado, dependerá da duração do conflito aceso no Médio Oriente, da intensidade e da reação do Irão e dos países envolvidos. Mas não haverá problemas de abastecimento no curto, médio prazo, porque não só Portugal tem reservas para 93 dias como o essencial do petróleo e gás que consumimos não tem origem naquela região. Os analistas antecipam, no entanto, maior subida dos preços para o gás natural no médio prazo, se o conflito tiver uma resolução demorada.

Se a semana terminasse esta terça-feira, 3 de março, seria possível antecipar uma subida de cerca de 13 cêntimos nos preços dos combustíveis na semana seguinte, uma vez que os preços refletem as cotações da semana anterior. A estimativa foi avançada esta terça-feira por Mafalda Trigo, vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). “Se fosse hoje, as previsões são de aumentos de 13 cêntimos por litro”, indicou a responsável, à Radio Renascença. Mas Mafalda Trigo ressalvou que “ainda só estamos em terça-feira e o mercado iniciou na segunda. Temos de aguardar até sexta-feira, no fecho do mercado”. Seja como for, “vai ser sempre um valor considerável”, antecipou a responsável da ANAREC.

Já António Comprido, presidente da Associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (EPCOL), não se mostra tão pessimista quanto aos efeitos do conflito militar num aumento brutal dos preços do petróleo, o mesmo não acontecendo no caso do gás natural.

“Se é possível que o barril de crude suba acima dos 100 dólares é, mas é pouco provável”, considerou António Comprido. E a primeira das razões é o facto de hoje em dia existir bastante liquidez nos mercados, até um excedente face ao consumo. Por outro lado, “porque o mundo está diferente desde o último grande choque petrolífero, o sistema energético da UE é mais resiliente, tem fontes alternativas e disso é exemplo o facto da UE ter conseguido contornar as importações de petróleo russo”, disse.

Mas se o bloqueio que se verifica atualmente no Estreito de Ormuz for prolongado, os efeitos serão mais significativos, mas sobretudo para os países asiáticos como a China, Coreia do Sul e Japão.

Quanto ao gás natural, cuja cotação já aumentou 50% nos últimos dias, os analistas são mais pessimistas, com a Europa Central a ser mais afetada, pois importa gás daquela região que circula no Estreito de Ormuz. E o problema mais imediato é a dificuldade de circulação, na medida em que os prémios de seguro aumentaram de tal maneira que tornaram o custo dos fretes inviáveis- aumentaram 100%, acabando por refletir-se não só em produtos energéticos mas numa série de outros bens de consumo.

Portugal e Espanha têm uma situação mais confortável, na medida em que compram essencialmente ao Norte de África, mais especificamente Argélia que abastece a península por gasoduto.

No caso das petrolíferas nacionais, a Galp não antecipa constrangimentos especiais, não só porque o país tem reservas energéticas para 93 dias, mas também porque a sua produção está situada no Brasil, o que lhe permite fazer a circulação pela rota do Cabo (África do Sul), disse ao DN fonte da petrolífera. E em termos de impacto económico para a empresa ele deverá ser neutro, uma vez que sendo petrolífera e refinadora, paga mais caro, mas também venderá mais caro, beneficiando da subida dos preços nos mercados internacionais.

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