A Associação dos Comerciantes do Porto quer mais policiamento e câmaras de videovigilância na cidade para travar os assaltos a lojistas e transeuntes. Anabela Barbatto, vice-presidente da associação, levou recentemente estas propostas ao Conselho Municipal de Segurança, tendo também sugerido a criação de uma linha direta para denúncias de ocorrências. "A segurança urbana é um fator essencial para a qualidade de vida, mas também para o crescimento e desenvolvimento do comércio local", sublinhou ao DN.
Segundo Anabela Barbatto, a pequena e média criminalidade não está a diminuir. Contudo, "essa realidade não se traduz em números, porque os comerciantes não apresentam denúncia". Os lojistas incorporaram a ideia de que "vão perder tempo - até porque lhes dizem que não terá consequências -, que o processo é muito burocrático. Há desalento", diz. E isso gera outro problema, que "é a falta de estatísticas", frisa. Os números de assaltos "não traduzem a realidade" que se vive na cidade. "Há comerciantes que foram vítimas de três e quatro assaltos e só reportaram um", sublinha. "É uma criminalidade de furtos, associada ao consumo de droga, mas começa haver também algumas redes de máfias, que geram violência".
A Associação dos Comerciantes do Porto quer, por isso, um reforço do policiamento de proximidade nas principais ruas comerciais, criação de um mecanismo simples de reporte das ocorrências, comunicação do desenvolvimento da denúncia e expansão da videovigilância. Neste ponto, lembrou a relevância das câmaras de videovigilância acompanharem a mobilidade dos crimes, já que os meliantes tendem a alterar o local de ação ao sabor de um maior ou menor controlo policial.
Na reunião do Conselho Municipal de Segurança, Anabela Barbatto sugeriu ainda uma articulação entre as forças de segurança e a associação. Como sublinha, "nós temos conhecimento de quais são as ruas objeto de maior criminalidade". Também pediu formação para os comerciantes, de forma a participarem corretamente a ocorrência, e para os polícias, no sentido de evitarem dissuadir a apresentação de denúncia.
As propostas da Associação dos Comerciantes do Porto receberam a aprovação unânime dos membros do Conselho Municipal do Porto, do qual fazem parte vários organismos municipais (presidente da câmara, vereadores, presidentes das juntas de freguesia), forças policiais, a União das IPSS, entre outras entidades da cidade. "Esta aprovação vai abrir pontes para haver uma intervenção mais musculada", diz Anabela Barbatto, lembrando que até ao fim do ano a cidade deverá contar com mais 200 polícias.
A responsável não deixa de salientar que "uma cidade segura é uma cidade com o comércio vivo".