

O Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) estima que as economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico cresçam 5,1% em 2026, uma desaceleração face a 2025 que atribui ao impacto da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irão.
A previsão consta do relatório anual de perspetivas económicas da instituição, o Asian Development Outlook (ADO).
Segundo o BAD, o conflito no Médio Oriente “agravou as tensões geopolíticas globais” e provocou “perturbações” no setor energético, fatores que têm vindo a “aumentar a inflação e a travar ainda mais o crescimento em toda a região”.
Estas pressões, adianta o relatório, afetam particularmente países fortemente dependentes das rotas de transporte de petróleo.
No cenário base com uma estabilização precoce, o crescimento regional deverá manter‑se em 5,1% também em 2027. O BAD prevê, em concreto, uma expansão do PIB de 4,6% na China em 2026, de 6,9% na Índia e de 4,7% no conjunto dos países do Sudeste Asiático.
Contudo, se as perturbações no Médio Oriente se prolongarem até ao terceiro trimestre de 2026, o crescimento regional pode cair para 4,7% em 2026 e 4,8% em 2027.
A instituição aponta ainda que o aumento dos preços da energia — resultante, entre outros fatores, do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão — elevará custos de produção e pressionará os preços ao consumidor na região.
Apesar destes riscos externos, o BAD espera que a normalização das exportações, após os impactos das políticas tarifárias dos EUA, e a “forte procura interna” nas economias do Sul e Sudeste Asiático continuem a sustentar o crescimento regional.
O relatório indica igualmente que o crescimento agregado das economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico em 2025 foi revisto para 5,4%, três décimas acima da previsão de dezembro.
A divulgação surge num momento em que o Paquistão prepara negociações de paz entre delegações dos EUA e do Irão, no âmbito de um cessar‑fogo temporário acordado entre as partes.