Construção propôs ao Governo "intensificar a contratação de trabalhadores, estrangeiros e nacionais"

AICCOPN aguarda balanço das necessidades de reconstrução na região de Leiria, que está a ser efetuado por entidades públicas, mas pede rapidez de decisões. Há empresas já a trabalhar no terreno.
A reparação de telhados por pessoas não qualificadas tem provocado vários acidentes e até mortes.
A reparação de telhados por pessoas não qualificadas tem provocado vários acidentes e até mortes.Paulo Spranger
Publicado a

A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) "tem estado em permanente contacto com o Governo, no sentido de intensificar a contratação de trabalhadores, estrangeiros e nacionais" para garantir uma resposta às necessidades de reparação e reconstrução das habitações, empresas e infraestruturas públicas afetadas pela tempestade Kristin na região centro do país.

Segundo o presidente da AICCOPN, Manuel Reis Campos, só após a conclusão dos levantamentos no terreno, que está a ser efetuado pelas entidades públicas, "será possível estimar o número de trabalhadores necessários". No entanto, "é expectável que intervenções de grande escala aumentem a pressão sobre um mercado de trabalho já fortemente tensionado", afirma.

Como aponta, "o setor da construção dispõe de capacidade técnica e empresarial instalada, mas enfrenta constrangimentos estruturais", como escassez de mão de obra qualificada e aprovisionamento de alguns materiais. Situação "poderá ser agravada por uma procura concentrada", sublinha.

Reis Campos admite mesmo a possibilidade "de alguns constrangimentos pontuais em determinados materiais de construção", embora isso dependa "da intensidade e simultaneidade das intervenções a executar". O líder das empresas de construção alerta mesmo que "um aumento significativo e concentrado da procura poderá exercer pressão sobre os preços dos materiais e dos serviços".

Para evitar essa situação, a AICCOPN chama a atenção para a importância do planeamento, do faseamento das intervenções e da estabilidade nos investimentos. Até porque, lembra Reis Campos, a reconstrução poderá implicar processos longos, sobretudo no caso de infraestruturas públicas estruturantes.

Segundo defende, o momento exige "rapidez na tomada de decisões, de simplificação dos procedimentos administrativos e de previsibilidade nos modelos de financiamento da reconstrução".

A AICCOPN "tem alertado para a importância de diagnósticos técnicos rigorosos, que permitam planear intervenções eficazes e ajustadas à realidade de cada território", afirma.

De acordo com Reis Campos, as empresas de construção têm-se disponibilizado para colaborar nos processos de reparação e reconstrução da Região Centro, mas essa capacidade de apoio está "condicionada pela falta de recursos humanos e pela execução de obras já contratualizadas".

No terreno

O grupo Casais tem estado no terreno. Segundo António Carlos Rodrigues, CEO da construtora de Braga, "individualmente e enquanto membro do consórcio Lusolav" está a colaborar com as entidades públicas na resposta às necessidades identificadas.

A Casais já mobilizou "equipas técnicas especializadas para intervenções urgentes, nomeadamente no apoio elétrico e em reparações provisórias, bem como meios técnicos ajustados às necessidades identificadas", revela. Nesta altura, "o foco está nas intervenções prioritárias que permitam repor condições mínimas de segurança, habitabilidade e funcionamento de serviços essenciais".

Para António Carlos Rodrigues, "o setor da construção opera atualmente com pressão de capacidade, mas tem demonstrado capacidade de reafectação temporária de meios quando está em causa uma resposta social prioritária". No entanto, alerta que a "eficácia da resposta dependerá sobretudo da coordenação, priorização e calendarização das intervenções".

O DN contactou outras empresas de construção para obter informações sobre eventuais apoios à calamidade, mas até ao momento não obteve mais respostas.

A reparação de telhados por pessoas não qualificadas tem provocado vários acidentes e até mortes.
Depressão Kristin. Grupo Luís Simões com viaturas danificadas assegura distribuição com constrangimentos
A reparação de telhados por pessoas não qualificadas tem provocado vários acidentes e até mortes.
Governo ordena avaliação técnica de infraestruturas rodoviárias e ferroviárias

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt