DBRS revê em baixa crescimento do PIB português para 1,9%

Para 2027, a previsão da agência de notação financeira para a evolução do Produto Interno Bruto nacional subiu um ponto base, dos anteriores 1,8% para 1,9%.
DBRS revê em baixa crescimento do PIB português para 1,9%
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A DBRS fez uma revisão em baixa do crescimento do PIB português em 2026 para 1,9%, menos dois pontos percentuais do que na anterior estimativa publicada em março, segundo uma análise hoje divulgada.

Para 2027, a previsão da agência de notação financeira para a evolução do PIB nacional subiu um ponto base, dos anteriores 1,8% para 1,9%.

A taxa de desemprego mantém-se igual à anterior projeção de março, ou seja, 5,9% tanto em 2026 como 2027.

Na sua análise sobre cenários macroeconómicos globais, a DBRS acredita num crescimento moderado das economias avançadas, refletindo as expectativas de perturbações geopolíticas relacionadas com a energia de uma forma "controlada".

"O crescimento das economias avançadas continua tímido, mas resiliente, particularmente na Europa, enquanto os EUA, a China e a Índia continuam a apoiar a atividade global", indica a avaliação da agência.

Os EUA são apontados como "exceção entre as principais economias avançadas, enquanto a Índia e a China se destacam entre os mercados emergentes".

A DBRS refere que o crescimento global, principalmente nos EUA e na China, tem sido alimentado pela "corrida ao armamento tecnológico", que está a gerar uma forte procura de investimentos em tecnologia, especialmente IA, em infraestruturas de energia e nas indústrias aeroespacial e de defesa.

Na Europa, a DBRS prevê que a França, a Alemanha, a Itália e o Reino Unido cresçam entre 0,6% a 0,9% em 2026, estimando-se uma ligeira aceleração para 0,7% a 1,2% em 2027.

"A Península Ibérica, no entanto, continua a apresentar um desempenho superior, juntamente com a Irlanda, a Grécia, partes da Europa Central e Oriental e alguns países nórdicos", indica a nota.

A análise refere ainda que o impacto do bloqueio do estreito de Ormuz no crescimento e na inflação "tem sido limitado até à data", mas, se se prolongar, "os riscos continuam inclinados para o lado negativo".

Apesar da tendência negativas das previsões nos últimos três meses, em resultado da guerra no Médio Oriente e da subida das taxas de juro do Banco Central Europeu, "a inflação continua acima das metas de política monetária em muitos países, e o desemprego mantém-se em níveis historicamente moderados ou baixos".

"As previsões apontam ainda para um crescimento moderado na maioria das economias que avaliámos, e os ajustamentos em baixa das previsões têm sido modestos até à data. Isto parece refletir as expectativas de que o encerramento do estreito de Ormuz terá uma duração ou impacto limitados, ou pelo menos será substancialmente compensado pelo apoio orçamental às famílias e empresas afetadas pelas perturbações", lê-se ainda na nota.

DBRS antecipa abrandamento gradual nos preços da habitação em Portugal

A DBRS antecipa um abrandamento gradual do crescimento dos preços da habitação em Portugal se a redução do número de imigrantes, a subida da inflação e o aperto no crédito prevalecerem, indica também a análise divulgada esta quinta-feira.

Contudo, a agência de notação financeira acredita que "as pressões sobre os preços permanecerão elevadas" devido às restrições da oferta de habitação que só se irão reduzir gradualmente.

Para já, a DBRS afasta a ideia de uma bolha imobiliária tanto em Portugal como em Espanha, considerando que "as fortes restrições da oferta e a desaceleração gradual da procura" irão impedir uma inversão dos preços.

A agência nota também que este ciclo de expansão não foi impulsionado por acumulação de dívida, tal como ocorreu no passado.

"O rácio entre a dívida das famílias e o rendimento disponível, em ambos os países, desceu de cerca de 100% em 2008-2012 para aproximadamente 50% em 2025", acrescenta.

Na sua análise, a DBRS Morningstar avança que "os fundamentos macroeconómicos do lado da procura, incluindo o forte crescimento populacional e do emprego, o aumento dos rendimentos e as baixas taxas de juro, sustentaram o crescimento dos preços dos imóveis" tanto em Portugal como em Espanha.

Segundo a estimativa da agência, os preços do imobiliário em Espanha cresceram 50% desde 2019 e em Portugal duplicaram no mesmo período.

Em simultâneo, "a oferta de habitação não respondeu com a rapidez suficiente para satisfazer o aumento da procura, resultando num grande défice habitacional em cada país".

Em Portugal, o défice acumulado está estimado em mais de 300 mil habitações, um número que cresce para mais de 700 mil em Espanha.

"A fraca atividade da construção civil desde o colapso do mercado imobiliário em 2008 é uma das principais razões para as restrições", prossegue a análise, referindo ainda a escassez de mão-de-obra na construção civil, o aumento dos custos dos materiais, a oferta limitada de terrenos e a lentidão das licenças.

Em ambos os mercados, "a crise da oferta é agravada pelos compradores estrangeiros e pelo 'boom' turístico, que direcionou a procura de habitação para uso de curta duração".

Para a DBRS, são "restrições estruturais da oferta difíceis de inverter e que provavelmente agravarão o desfasamento entre a oferta e a procura" no espaço ibérico.

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Banco de Portugal mantém previsão de crescimento da economia de 1,8% para este ano
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