Os municípios mais afetados pelo fogo do Douro internacional que deflagrou no dia 15 de agosto exigiram este sábado, 30 de agosto, o mais rapidamente possível a atribuição de apoios a quem tudo perdeu com o passar das chamas.Este incêndio, segundo dados provisórios, queimou mais de 12 mil hectares de terreno onde estavam culturas como o olival, amendoal, vinha, laranjal e colmeias ficaram destruídas com a rapidez com deflagrou este incêndios que começou em Poiares, em Freixo de Espada à Cinta e estendeu rapidamente aos concelhos vinhos de Torre de Moncorvo e Mogadouro, no distrito de Bragança.Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira (PS), disse que exige respostas céleres e eficazes por parte do Governo, para devolver à população aquilo que perderam nestes últimos dias.“Eu recordo que no incêndio que começou no concelho de Freixo de Espada à Cinta só nas primeiras seis horas arderem cerca de nove mil hectares de terreno, num total de incêndio com cerca de 12 mil hectares”, indicou o autarca.De acordo com Nuno Ferreira, só no concelho de Freixo de Espada à Cinta arderam cerca de 6.500 hectares, dos quais 1.000 são de área agrícola, o que corresponde a 298 lesados.“A reposição das várias culturas exige, agora, uma resposta célere. O município tem estado a dar todo o apoio necessário, como a 90 toneladas de alimentos que fornecemos para alimentação dos animais, já que as áreas de pasto ficaram desminadas pelo fogo. Também no setor apícola estamos já a fazer intervenções”, sublinhou.Por seu lado, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, José Meneses (PSD) espera que uma cooperativa com o poder central entenda que há populações que ficaram sem nada, como é o caso de Mós e Macieirinha, neste concelho.“Os apoios já anunciados pelo Governo poderão não ser os suficientes para a ajudar as nossas populações, porque os prejuízos não só no imediato, mas durante um período de cinco ou seis anos, como é o caso de culturas como a vinha, o olival e o amendoal”, disse.Segundo José Meneses, há neste território pessoas que vivem só da agricultura e que têm de ser apoiadas não só pelo município.Estes dois autarcas do sul do distrito de Bragança falaram à Lusa no decurso da visita que a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho fez este sábado ao Douro Internacional para se inteirar ‘in loco’ dos prejuízos causados pelo incêndio de 15 de agosto.A ministra classificou este incêndio como uma catástrofe ambiental e paisagística.“Trata-se de uma catástrofe ao nível ambiental e paisagística, porque se trata de um parque natural que é uma pérolas e continua bonito, mas tem uma vasta área que teve um grande impacto em mais de cinco mil hectares que arderam nesta área protegida”, vincou a governante ao jornalistas, no miradouro do Carrascalinho, no concelho de Freixo de Espada à Cinta que foi o mais afetado pelas chamas.Maria da Graça Carvalho disse ainda que agora é tempo de olhar para o futuro e tentar propor o potencial do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), que é a segunda maior área protegida do país.Nas responsabilidades do Ministério do Ambiente estão já no terreno todas as intervenções de urgência, tais como evitar as derrocadas, que são muitas, evitar que as cinzas contaminem a água que abastece as populações e que estão a ser acompanhadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).A governante disse que estão em curso as ajudas imediatas à reposição do potencial produtivo, principalmente na agricultura, tuteladas pelo Ministério da Economia e pelo Ministério da Agricultura.A ministra vincou ainda que há a preocupação da reposição de todo o ecossistema do PNDI quer ao nível da fauna como da flora e toda a biodiversidade.“Quando fazemos esse restauro [ambiental], a nossa preocupação passa por diminuir o risco de futuro baseadas nas melhores práticas científicas que são utilizadas em outros países, e das lições aprendidas aqui em Portugal. Há zonas como o Parque Natural do Alvão ou o Parque Nacional Peneda-Gerês que têm árvores folhosas que servem de tampão ao avanço dos incêndios”, disse Maria da Graça Carvalho.Agora a aposta para a recuperação da área ardida no PNDI, passa pela plantação de espécies arbóreas mais resilientes e resistentes às chamas.No campo da avifauna, a recuperação de projetos europeus em cursos nessas áreas protegida também chamou a atenção da governante como o caso do programa ibérico “LIFE Aegypius Return” que tem por objetivo a salvaguarda do abutre-preto ('Aegypius monachus') e onde foram destruídos ninhos, uma estação de aclimatação e outras estruturas causando prejuízos de mais de 30 mil euros, só nesta iniciativa ambiental.“Tudo iremos fazer para repor de novo todos este projeto ibérico de recuperação do abutre-preto”,A ministra do Ambiente ressalvou que são necessários vários anos para que o ecossistema afetado pelo fogo no Douro Internacional volte a ter todo o seu potencial.“Para estes casos estão já regulamentadas ajudas diretas [financiamento] que prevê que haja um contato para cada uma das áreas protegidas afetadas pelos incêndios que envolve os municípios, ICNF, APA, e a Agência para o Clima”, disse.O incêndio do Douro Internacional deflagrou no dia 15 de agosto, em Poiares, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, o mais afetado, e depressa se alastrou aos concelhos vizinhos de Torre de Moncorvo e Mogadouro, deixando um rasto de destruição nas pastagens e em culturas como o olival, amendoal, vinha, laranjal, floresta e colmeias.Segundo dados provisórios da GNR, arderam cerca 12 mil hectares nos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Mogadouro, num incêndio que chegou a ter cerca de 400 operacionais no terreno e a ausência de meios aéreos, devido às condições climatéricas que se fizeram sentir..Fogo que começou em Arganil apresenta a maior área ardida de sempre em Portugal