Dívida pública volta a subir em junho e atinge 92,9% do PIB no segundo trimestre

Apesar do aumento geral, se deduzidos os depósitos das administrações públicas, a dívida recuou 1,3 mil milhões de euros. O Governo insiste no cumprimento do corte para 87,5% do PIB até final do ano.
O Governo mantém a previsão de redução, mediante o acordo feito com Bruxelas.
O Governo mantém a previsão de redução, mediante o acordo feito com Bruxelas.Foto: D.R.
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A dívida pública portuguesa aumentou 5,2 mil milhões de euros em junho e já representa 92,9% da economia nacional, no segundo trimestre (mais 1,9 pontos percentuais do que no período anterior). O Governo mantém a previsão de redução, mediante o acordo feito com Bruxelas.

As contas do Banco de Portugal (BdP) foram divulgadas na segunda-feira, 3 de agosto. Apontam para a dívida pública a atingir 293,9 mil milhões de euros, o que significa o sexto mês consecutivo de subidas (tendência que se regista desde o início de 2026) e um valor muito próximo do máximo histórico (294,5 mil milhões de euros, em setembro do ano passado).

A variação diz respeito aos critérios de Maastricht e resulta de incrementos nas duas categorias sob análise. É o caso das responsabilidades em depósitos (mais 0,5 mil milhões de euros), sobretudo em certificados de aforro (mais 0,6 mil milhões de euros), e dos títulos de dívida (mais 4,7 mil milhões de euros), principalmente de longo prazo.

No que diz respeito aos ativos em depósitos das administrações públicas em junho, registaram-se 31,4 mil milhões de euros (mais 6,6 mil milhões do que em maio). Deduzida deste valor, a dívida pública recuou 1,3 mil milhões de euros e ficou-se pelos 262,5 mil milhões de euros.

Os dados do BdP demonstram ainda o peso de cada instrumento na variação mensal da dívida pública (crescimento de 5,2 mil milhões face a maio). A fatia de "títulos da dívida" pesou 4,7 mil milhões de euros, ao passo que "numerário e depósitos" somam 0,5 mil milhões e os "empréstimos" ficam-se pelos três milhões de euros.

Governo não cede nas estimativas

O Ministério das Finanças reagiu aos números através de um comunicado no qual assinala "a análise da evolução da dívida pública, neste período, implica compreender que foi acumulado um largo montante de depósitos das Administrações Públicas, necessário ao cumprimento do plano de amortizações do país", pode ler-se.

Olhando para os valores em concreto, a dívida pública, deduzidos os depósitos das Administrações Públicas, recuou 1,3 mil milhões de euros, para 262,5 mil milhões, "correspondendo a cerca de 83% do PIB", aponta o Ministério liderado por Joaquim Miranda Sarmento.

Com o endividamento respeitante a obrigações de dívida a atingir 4,7 milhões de euros, o mesmo organismo assinalou que a movimentação diz respeito títulos "principalmente de longo prazo", no que concerne ao prazo para reembolsar os credores.

O Ministério recorda ainda que o terceiro trimestre começou com o vencimento de uma linha de Obrigações do Tesouro (em julho), que levou Portugal a desembolsar quase 10 mil milhões de euros (valor que abate na dívida).

Neste contexto, o Governo continua a estimar uma redução da dívida pública para 87,5% do PIB até final do ano. O número significaria corresponder à previsão inscrita no relatório anual de progresso enviado a Bruxelas em abril. Recorde-se que Bruxelas define a meta dos 60% como limite máximo, desde a assinatura do Tratado de Maastricht, em 1993 (Portugal está em incumprimento desde 2003).

O Governo mantém a previsão de redução, mediante o acordo feito com Bruxelas.
Governo justifica subida da dívida pública com depósitos e mantém previsão
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