

A economia alemã perdeu impulso no terceiro trimestre, mas terá um crescimento maior no quarto trimestre, embora dependendo da evolução do conflito no Médio Oriente e da normalização do caudal do Reno e de outras vias fluviais.
"Após o significativo aumento dos dois trimestres anteriores, o Produto Interno Bruto (PIB) real expandir-se-á apenas ligeiramente no trimestre atual", consideram os economistas do Bundesbank, o banco central da Alemanha, no boletim económico de setembro, publicado hoje.
No entanto, a economia alemã não perderá a trajetória de recuperação porque essa desaceleração "reflete em grande medida obstáculos temporários" e, por isso, uma vez superados, deve começar a notar-se uma recuperação, acrescenta o Bundesbank.
O Bundesbank prevê que as exportações contribuam menos para o crescimento no terceiro trimestre e que o consumo se mantenha contido.
A produção industrial diminuiu significativamente no início do terceiro trimestre, devido a fatores extraordinários.
A produção e as vendas da indústria caíram drasticamente em julho em comparação com o mês e o trimestre anteriores.
O Bundesbank considera que "os baixos níveis de água que começaram em julho dificultaram o transporte fluvial, o que provocou um forte aumento nos custos de transporte".
A produção nas indústrias mais afetadas pelos estrangulamentos no fornecimento diminuiu significativamente.
Isso afetou as indústrias de alto consumo energético, como a refinação de petróleo, a química e a metalurgia, que também foram prejudicadas pelos altos preços dos combustíveis fósseis.
O Bundesbank considera que os baixos níveis de água continuarão a impactar a produção e as exportações não só em julho, mas durante o resto do trimestre.
O mês de agosto também se caracterizou por níveis de água muito baixos.
Além disso, a eliminação da redução de impostos sobre a gasolina e o diesel ("Tankrabatt") impactou muito os retalhistas no início do terceiro trimestre.
Os postos de gasolina sofreram grandes perdas de receita em termos reais (descontada a inflação) porque ainda estavam a utilizar os preços mais baixos de junho, segundo o Bundesbank.
O "Tankrabatt" foi uma redução temporária, desde o início de maio até o final de junho, do imposto sobre combustíveis devido ao aumento dos preços da energia.
Agora o Governo alemão quer aprovar um novo desconto nos impostos sobre o combustível até o final do ano.