Economia chinesa cresce 5% em 2025, impulsionada por aumento das exportações

O crescimento abrandou, porém, para uma taxa de 4,5% no último trimestre do ano
Economia chinesa cresce 5% em 2025, impulsionada por aumento das exportações
ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA
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A economia da China registou um crescimento homólogo de 5%, em 2025, impulsionada pela forte subida das exportações, apesar do aumento das taxas alfandegárias imposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O crescimento abrandou, porém, para uma taxa de 4,5% no último trimestre do ano, segundo os dados oficiais divulgados esta segunda-feira, 19. Foi o crescimento trimestral mais lento desde o final de 2022, durante a pandemia da covid-19. A economia, a segunda maior do mundo, cresceu a uma taxa anual de 4,8% no trimestre anterior.

Os líderes chineses têm tentado estimular um crescimento mais rápido após a crise no setor imobiliário e os impactos económicos provocados pela pandemia.

Como era esperado, o crescimento anual do ano passado ficou alinhado com a meta oficial do governo de uma expansão de "cerca de 5%".

As exportações ajudaram a compensar o fraco consumo interno e o baixo investimento empresarial, contribuindo para um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares (mais de 1 bilião de euros).

"A grande questão é durante quanto tempo este motor de crescimento poderá continuar a ser o principal impulsionador", escreveu Lynn Song, economista-chefe para a China no banco holandês ING, numa nota recente.

As exportações chinesas para os EUA caíram depois de Donald Trump ter regressado à presidência no início do ano passado e ter começado a aumentar as tarifas. No entanto, essa queda foi compensada pelas vendas para o resto do mundo. A subida acentuada das importações de produtos chineses tem levado alguns governos a agir para proteger as indústrias locais, nalguns casos através do aumento das tarifas sobre as importações.

"Se mais economias começarem também a subir tarifas sobre a China, como fez o México e como a União Europeia ameaçou fazer, acabará por se sentir uma pressão mais forte", afirmou Song.

Os líderes chineses têm repetidamente destacado o reforço da procura interna como prioridade política, mas os efeitos têm sido até agora limitados. Um programa de incentivo à troca de automóveis antigos por modelos mais eficientes em termos energéticos, por exemplo, tem vindo a perder força nos últimos meses.

"A estabilização – não necessariamente a recuperação – do mercado imobiliário interno é fundamental para restaurar a confiança pública e, consequentemente, o crescimento do consumo das famílias e do investimento privado", afirmou Chi Lo, estratega de mercados para a Ásia-Pacífico na banco de gestão de ativos BNP Paribas Asset Management.

A China também tem oferecido subsídios para a troca de eletrodomésticos, como frigoríficos, máquinas de lavar e televisões. Embora as principais medidas de estímulo ao consumo de 2025 – incluindo estes subsídios – devam continuar em 2026, poderão ser reduzidas, afirmou Weiheng Chen, estratega global de investimentos no banco de investimento J.P. Morgan Private Bank, numa nota recente.

O investimento em inteligência artificial e noutras tecnologias avançadas continua a ser uma prioridade para o Partido Comunista Chinês, numa tentativa de aumentar a autossuficiência e rivalizar com os Estados Unidos. Muitos cidadãos comuns e pequenas empresas enfrentam tempos difíceis e uma incerteza preocupante quanto ao emprego e aos rendimentos.

Alguns economistas e analistas acreditam que o crescimento económico real da China em 2025 foi mais lento do que os dados oficiais sugerem. O grupo de reflexão Rhodium Group estimou no mês passado que a economia chinesa cresceu apenas entre 2,5% e 3% em 2025.

Segundo dados do governo, a economia chinesa cresceu a uma taxa anual de 5%, em 2024, e de 5,2%, em 2023. As metas oficiais de crescimento têm vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, de 6% a 6,5%, em 2019, para "cerca de 5%", em 2025.

Prevê-se uma expansão anual mais lenta para 2026. O banco alemão Deutsche Bank prevê que a economia da China cresça cerca de 4,5%, em 2026.

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