

As restrições à exportação impostas pela China no contexto da guerra comercial causaram “milhões de euros em perdas” para “várias” empresas europeias, denunciou esta quarta-feira, 12, a Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.
O presidente da secção da Câmara na cidade de Xangai, Carlo D’Andrea, afirmou, durante a apresentação de um relatório bienal sobre o ambiente de negócios para empresas europeias naquela cidade, que a situação continua a deteriorar-se, apesar dos acordos alcançados entre a China e os Estados Unidos após a reunião entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump.
“Não sentimos que as coisas estejam a melhorar”, apontou o empresário italiano, referindo-se ao entendimento entre os dois países que previa a suspensão por um ano das últimas restrições chinesas à exportação de produtos como as terras raras, embora permaneçam em vigor outras medidas decretadas anteriormente.
“Os nossos membros continuam a pedir-nos que pressionemos” as autoridades chinesas, indicou D’Andrea, acrescentando que a tensão entre a China e a UE devido ao caso da empresa neerlandesa Nexperia “não está a ajudar”.
Embora tenha afirmado não ter conhecimento de represálias específicas contra empresas dos Países Baixos, D’Andrea salientou que os membros da Câmara denunciam a “politização e deterioração” do ambiente de negócios no país asiático.
Segundo a Câmara, as empresas europeias operam num “limbo” que cria uma “concorrência desleal” com as empresas chinesas, que teoricamente estão sujeitas às mesmas restrições, mas que não sofrem os seus efeitos por não necessitarem de exportar os materiais em causa.
“Os controlos à exportação estão a afetar gravemente a produção industrial dos nossos membros e esperamos que não sejam usados como ferramenta política, nem que o comércio seja transformado numa arma de arremesso”, frisou o responsável.
“Não queremos tratamento especial, apenas que sejamos tratados com justiça. Queremos saber que documentos são necessários, que autoridade os valida e quando é que vamos receber as licenças”, exortou.
D’Andrea alertou ainda que, na atual conjuntura, as empresas estrangeiras na China “já não podem apenas focar-se no negócio”, mas têm de estar “muito mais atentas ao que as rodeia”, por exemplo na seleção de fornecedores.