

O salário mínimo em Espanha vai aumentar 3,1%, para 1.221 euros mensais pagos 14 vezes por ano, segundo um acordo assinado esta segunda-feira, 16, pelo Governo e as centrais sindicais do país.
O valor do novo salário mínimo (mais 37 euros mensais) será agora aprovado pelo Conselho de Ministros e terá efeitos retroativos a janeiro de 2026, não precisando de passar pelo parlamento.
Segundo o acordo assinado hoje, o salário mínimo em Espanha continuará isento de impostos sobre o rendimento singular (equivalente ao IRS em Portugal).
O aumento do salário mínimo em Espanha é uma prerrogativa do Governo, após consulta aos parceiros sociais (sindicatos e associações patronais), pelo que não é necessário acordo de todas as partes, como voltou a acontecer este ano, em que os representantes dos empresários se manifestaram contra a subida hoje formalizada.
As associações patronais discordaram dos termos do acordo e da forma como decorreram as negociações e alertaram para o impacto negativo que está a ter nas pequenas e médias empresas os sucessivas aumentos do salário mínimo desde 2018, quando uma coligação de esquerda, liderada pelo primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, chegou ao Governo.
Nestes anos, o salário mínimo em Espanha aumentou 66% (era 735,6 euros em 2018), para ser 60% do salário médio do país, o objetivo estabelecido pelo Governo.
Sánchez afirmou hoje, na assinatura do acordo com os sindicatos, em Madrid, que estes aumentos são uma questão de justiça social, dignificação do trabalho e de "inteligência económica", sublinhando que a economia de Espanha está a crescer mais do que a média europeia e acima do que os grandes países europeus.
O primeiro-ministro, como os representantes dos sindicatos, defendeu que o desempenho da economia e do mercado de trabalho em Espanha não só desmentem, como contrariam, "os vaticínios de desastre" económico por causa de aumentos desta dimensão do salário mínimo nacional.
Sánchez lamentou a ausência das associações patronais - que disse não confundir com todos os empresários - do acordo assinado hoje, num contexto de crescimento económico e "lucros recorde e multimilionários" de diversos setores.
Para o líder do Governo, se "todos apertam o cinto quando é preciso apertar o cinto", o mesmo tem de acontecer no momento de partilhar lucros e crescimento.
Tanto o líder do executivo como os líderes das centrais sindicais (CCOO e UGT) destacaram que o aumento do salário mínimo tem sido também um fator de diminuição de desigualdades salariais em Espanha, tanto de género como territoriais.
Cerca de 2,5 milhões de pessoas recebem o salário mínimo em Espanha, a maioria mulheres que trabalham no setor dos serviços.
No final de 2025, o número de pessoas com trabalho em Espanha ascendia a 22.463.300, o maior de sempre no país, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
Em paralelo, a taxa de desemprego caiu para 9,93% no último trimestre de 2025 (2,47 milhões de pessoas), situando-se abaixo dos 10% pela primeira vez desde o início de 2008.
Espanha tem a segunda maior taxa de desemprego da União Europeia (UE), a seguir à da Finlândia, segundo os dados oficiais europeus mais recentes.
Quanto à economia, o Produto Interno Bruto (PIB) espanhol cresceu 2,8% no ano passado.
Segundo o serviço europeu de estatística Eurostat (que distribui os valores brutos pagos em cada país por 12 meses para harmonizar as comparações), o salário mínimo na UE oscila entre os 2.704 euros pagos no Luxemburgo e os 620 euros na Bulgária.
Em Portugal, está nos 920 euros, pagos 14 vezes por ano (1.073 quando o valor é dividido por 12 vezes, como na estatística do Eurostat).
Dos 27 Estados-membros da UE, 22 têm salários mínimos nacionais, com exceção da Dinamarca, Itália, Áustria, Finlândia e Suécia.