

Os estrangeiros representaram 28% das compras de casas em Portugal no ano passado, segundo dados do Banco de Portugal divulgados esta quarta-feira, 27 de maio, no Relatório de Estabilidade Financeira.
Os principais países de origem desses compradores estrangeiros (residentes e não residentes em Portugal) são Brasil, Angola e França.
De acordo com o BdP, a proporção dos compradores estrangeiros tem-se mantido relativamente estável desde 2019 (25% em 2019 e máximo de 31% em 2023).
O valor das transações feitas por compradores estrangeiros é, em média, superior.
O Relatório de Estabilidade Financeira, hoje divulgado, considera que os principais riscos para a estabilidade financeira vêm aumentando, sobretudo devido às tensões geopolíticas.
"O agravamento destas tensões ou a eventual correção súbita dos mercados financeiros, sobretudo se ocorrerem ao mesmo tempo, podem afetar negativamente a atividade económica, a inflação, os preços dos ativos e a capacidade de famílias e empresas pagarem os seus créditos", lê-se no documento.
O impacto pode ser também nos preços no mercado imobiliário, onde considera o BdP que há "o risco de uma redução abrupta e inesperada dos preços das casas".
Sobre o sistema bancário, o BdP diz que tem demonstrado solidez e resiliência, mas que os bancos devem "manter uma gestão cuidadosa dos riscos".
O BdP mostra-se ainda preocupado com os riscos climáticos físicos, recordando que, no início de 2026, houve em Portugal a "ocorrência de um choque climático extremo em algumas regiões que evidenciou a crescente importância dos riscos climáticos e da natureza", referindo-se às tempestades que afetaram em especial a região Centro.