Eurogrupo reúne‑se para avaliar impacto do conflito no Médio Oriente

A sessão, realizada por videoconferência e com a presença de Miranda Sarmento, pretende avaliar o impacto imediato da crise sobre os mercados petrolíferos e do gás
Eurogrupo reúne‑se para avaliar impacto do conflito no Médio Oriente
Foto: Olivier Hoslet/EPA
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Os titulares das pastas das Finanças dos países da área do euro reúnem‑se esta sexta-feira, 27, por videoconferência, para debaterem as consequências económicas do conflito no Médio Oriente, com foco nas pressões sobre os preços da energia e nas implicações macroeconómicas para a moeda única.

A sessão pretende avaliar o impacto imediato da crise sobre os mercados petrolíferos e do gás — marcada por maior volatilidade e risco de subida dos preços — e identificar vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento que possam amplificar efeitos recessivos na União Europeia.

Num contexto em que vários Estados‑membros, incluindo Portugal, já implementaram pacotes de apoio a famílias e empresas, os ministros procuram formas coordenadas de resposta que atenuem choques económicos sem comprometer a sustentabilidade orçamental. Fontes europeias avisam que repetir as medidas dispendiosas adotadas em 2022 dificilmente será viável, dada a limitada margem fiscal atual.

Entre as opções em análise está a eventual ativação da cláusula de salvaguarda das regras orçamentais da UE — instrumento usado na pandemia para flexibilizar temporariamente os limites de défice e dívida — embora, segundo responsáveis consultados pela Lusa, essa hipótese ainda não esteja em destaque nas discussões. As próximas previsões económicas da Comissão Europeia, agendadas para 21 de maio, deverão servir de referência para decisões futuras.

Recorde‑se que o Eurogrupo já tratou destes temas em março, numa reunião em Bruxelas, onde foram sublinhadas possíveis perspetivas de “longo período de instabilidade” e o risco de impactos duradouros caso o conflito se alargue. Na altura, dirigentes europeus apelaram a respostas mais coordenadas do que as observadas em 2022.

Em representação de Portugal, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admitiu que o país poderá registar défice em 2026 “se as circunstâncias o impuserem”, apontando não só os recentes fenómenos meteorológicos como a nova crise geopolítica como fatores de pressão sobre as contas públicas.

O agravamento da instabilidade deve‑se, em parte, ao encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão após confrontos militares recentes, situação que reduziu o tráfego de petroleiros e reforçou as preocupações sobre oferta global de petróleo. A forte dependência europeia de importações exteriores torna a UE particularmente sensível a choques vindos do Médio Oriente, reforçando a urgência de respostas políticas rápidas e coordenadas.

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