"Eventos meteorológicos extremos" ameaçam redes elétricas em todo o mundo

Os fenómenos que castigaram Portugal nas últimas duas semanas comprometem as redes elétricas, alerta a Agência Internacional de Energias. É preciso investir sem medos, diz ao DN o presidente da ADENE.
A energia solar representa 10% do consumo de energia elétrica em Portugal.
A energia solar representa 10% do consumo de energia elétrica em Portugal. Foto: Global Imagens
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Os sistemas de energia enfrentam riscos associados a vários fatores, entre os quais estão "eventos climáticos extremos", como os que deixaram dezenas de milhares de portugueses sem luz em casa, nos últimos dias.

A conclusão está entre os resultados de um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla original), intitulado Eletricidade 2026. Este é um relatório anual sobre sistemas e mercados globais de energia, cuja mais recente edição foi conhecida na sexta-feira, dia 6. Os especialistas colocam aqueles fenómenos entre os principais desafios do setor, à escala mundial.

Os restantes fatores de risco passam pelo envelhecimento das infraestruturas, as ciberameaças (onde se incluem ataques informáticos, por exemplo) e ainda "outras vulnerabilidades emergentes", pode ler-se, O cenário obriga a "maiores esforços para melhorar a segurança e a resiliência" das redes, assinala-se.

De acordo com Nelson Lage, presidente da ADENE (Agência para a Energia), o desafio mais urgente para o setor passa exatamente por esta vertente. "O próximo passo é apostarmos fortemente nas redes", assinala, além de sublinhar as "várias soluções" técnicas apontadas no documento.

Em declarações ao DN e Dinheiro Vivo, o próprio recorda que "durante décadas, houve subinvestimento nas redes". Um panorama que deve mudar nos próximos anos, de forma a tornar as economias, nomeadamente a portuguesa, mais resistentes.

"A digitalização e o reforço das redes podem ajudar-nos a estarmos melhores preparados para futuros eventos climáticos", assinala Nelson Lage. O tema é de grande importância, visto que "a procura por eletricidade está a crescer muito rápido", à escala global.

No âmbito das falhas ao nível das redes, a Agência Internacional de Energia recorda vários episódios de corte no fornecimento de energia, por todo o mundo. Menciona, entre outros, o Apagão que afetou todo o território nacional, assim como Espanha e uma pequena área de França, a 28 de abril de 2024.

Renováveis e nuclear batem recordes

Na "Era da Eletricidade", como lhe chama a própria Agência Internacional de energia, as fontes de energia renovável igualaram o carvão, em 2025, na produção de eletricidade. Até ao final da década, as energias renováveis e o nuclear devem tornar-se responsáveis por metade da eletricidade gerada em todo o mundo.

De acordo com a análise, a produção de eletricidade através de fontes renováveis igualou aquela que é o líder histórico no setor. "Está no processo de ultrapassar a produção [de energia] a partir do carvão", pode ler-se.

Para tal, contribuiu em grande medida o aumento expressivo no número de painéis solares instalados à escala global, cujos números bateram o recorde anterior. Ora, até 2030, as renováveis e a energia produzida em centrais nucleares deverão formar 50% do "bolo" de eletricidade produzida em todo o mundo (compara com 42% em 2025).

De resto, a procura global deve aumentar numa média de 3,6% por ano até 2030 (3% em 2025).

Os principais fatores são o uso da eletricidade para fins industriais, o crescimento no ramo dos carros elétricos, maior consumo de ar condicionado e a expansão dos centros de dados e da IA. O crescimento da procura é particularmente visível nas economias emergentes e em desenvolvimento... mas as restantes brilham face aos anos anteriores.

Colocando os dados em perspetiva, num horizonte até 2030, o aumento da procura por eletricidade deve multiplicar por 2,5 o aumento da procura por energia de todas as fontes.

Os dados são impulsionados pela expetativa de que as economias desenvolvidas vejam finalmente um crescimento no consumo, depois de 15 anos estagnadas neste capítulo. A IEA estima que, até ao final da década, o contributo destas últimas tenha um peso de 20% na procura total.

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