

A economia portuguesa registou um excedente externo de 188 milhões de euros no primeiro trimestre, menos 84,2% que no mesmo período do ano passado, divulgou esta quinta-feira, 21, o Banco de Portugal (BdP).
Esta é a primeira vez desde o início do ano em que o saldo acumulado das balanças corrente e de capital é positivo, mas mantém-se, à semelhança dos meses anteriores, inferior ao verificado nos meses homólogos de 2025.
O BdP assinala que o excedente das balanças correntes e de capital representou 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral, que compara com 1,7% do trimestre homólogo.
Para esta evolução, o BdP destacou o aumento de 779 milhões de euros no défice da balança de bens, justificado pelas importações (+943 milhões de euros) acima das exportações (+165 milhões de euros).
Também o excedente da balança de serviços recuou, em 202 milhões de euros, numa variação “justificada maioritariamente pela evolução do saldo dos serviços de transporte (-247 milhões de euros)”.
Na balança de capital, a descida de 193 milhões de euros do excedente foi influenciada pela diminuição da venda de licenças de dióxido de carbono e de passes de futebolistas.
Já a balança de rendimento secundário teve uma diminuição de 138 milhões de euros, “devido, em grande parte, à maior contribuição financeira paga para o orçamento da União Europeia (UE)”.
O défice da balança de rendimento primário recuou 310 milhões de euros, numa variação que foi explicada principalmente pela redução dos juros pagos ao exterior.
O banco central assinala ainda que a capacidade de financiamento da economia portuguesa no primeiro trimestre se traduziu num saldo da balança financeira de 32,6 milhões de euros, tendo a banca e as seguradoras e fundos de pensão sido os setores a mais contribuir para este saldo.
O BdP aponta ainda que este aumento se deveu, principalmente, ao aumento de ativos em títulos de dívida emitidos por não residentes, enquanto o banco central – com o aumento dos passivos na forma de depósitos – foi o setor com a maior redução de ativos líquidos sobre o exterior.
Apenas no mês de março, a economia portuguesa teve um excedente externo de 435 milhões de euros, menos 22 milhões de euros que no mesmo mês de 2025.