

A economia portuguesa registou um excedente externo de 4.050 milhões de euros até agosto, menos 26,8% que no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
Em cadeia, são mais 69% face aos 2.397 milhões de euros acumulados até julho, mas o valor continua abaixo do verificado nos mesmos meses de 2025 (5.535 milhões de euros) e 2024 (8.260 milhões de euros).
Segundo o BdP, esta evolução refletiu, principalmente, o aumento de 2.700 milhões de euros do défice da balança de bens (importações aumentaram 6.000 milhões de euros e exportações subiram 3.300 milhões de euros).
A isto, juntou-se a redução do excedente da balança de rendimento secundário em 259 milhões de euros - devido, “em grande medida, ao aumento da contribuição financeira de Portugal para o orçamento da União Europeia” –, bem como o decréscimo de 120 milhões de euros do saldo da balança de serviços.
Já o excedente da balança de capital subiu 1.400 milhões de euros, sendo explicado “maioritariamente, pelo recebimento das compensações pagas por resseguradoras estrangeiras pelos prejuízos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal no início do ano” e pelo crescimento das atribuições de fundos classificados como ajuda o investimento.
O banco central assinala que a capacidade de financiamento da economia portuguesa até agosto resultou num saldo positivo da balança financeira de 2.678 milhões de euros, contra 1.072 milhões de euros em julho e 6.194 milhões de euros um ano antes.
“Os setores que mais contribuíram para este saldo positivo foram as seguradoras e os fundos de pensões, por via do investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes, e os particulares, pelo aumento do investimento em unidades de participação emitidas por fundos de investimento não residentes e de depósitos no exterior”, refere o BdP, numa nota.
Já as sociedades não financeiras e o banco central tiveram as maiores reduções de ativos líquidos, “devido ao crescimento dos passivos de capital e ao desinvestimento em títulos de dívida emitidos por não residentes, respetivamente”.
Apenas no mês de agosto, a economia portuguesa teve um excedente externo de cerca de 1.700 milhões de euros, contra 1.600 milhões de euros no mesmo mês de 2025.
De acordo com o BdP, a variação reflete o aumento de 147 milhões de euros do saldo da balança de capital, a subida de 26 milhões de euros do excedente da balança de rendimento secundário e o crescimento de 61 milhões de euros do défice da balança de rendimento primário.