Exposição das seguradoras ao risco climático subiu 12% em 2025

Sinistros climáticos cobertos para casas e cobertura de edifícios rondam os mil milhões de euros. Mas uma parte substancial da população não tem estes riscos cobertos, diz a ASF no relatório de 2025.
Inundações em Coimbra
Inundações em CoimbraFOTO: PAULO NOVAIS/LUSA
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A exposição do setor segurador aos riscos climáticos já tinha subido quase 12%, em 2025, mesmo antes das tempestades devastadoras que têm assolado o país desde janeiro. E deverá agravar-se este ano e nos próximos, num contexto de aumento de fenómenos climáticos extremos. Isso mesmo indica o Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), relativo a 2025, divulgado esta segunda-feira, 2 de fevereiro.

Segundo aquele balanço, a exposição agregada do setor, associada à carteira de apólices de seguro de incêndio e multirriscos, aumentou 11,7% para cerca de 1 010 mil milhões de euros. Em causa está predominantemente o ramo não vida, do segmento de habitação e cobertura de edifícios.

Mas a ASF lembra que há um défice assinalável na cobertura destes riscos por parte de particulares e empresas, que promete deixar uma grande parte das populações afetadas sem indemnizações. Com efeito “uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos”.

E essa é uma das razões pelas quais a ASF defende “mecanismos de resiliência partilhada” para “reduzir as lacunas de cobertura e para aumentar a robustez coletiva face aos desafios climáticos que se tornam cada vez mais exigentes”. Em causa está a criação de um fundo de riscos catastróficos, que precisaria também de aprovação por parte do Ministério das Finanças, pois seria financiado pelas companhias seguradoras e pelo Estado. O objetivo é garantir que existe uma almofada financeira para acudir a situações inesperadas, sem deixar as populações sem resposta, por um lado, e sem que a sustentabilidade financeira das seguradoras fique comprometida.

Os dados mais recentes agregados do setor permitem concluir por essa necessidade.

Para o risco de inundação, a maioria do capital seguro, leia-se das apólices feitas para esse risco, situa-se em zonas com scores inferiores a 0,5 (numa escala de 0 a 1, onde 1 corresponde ao risco mais elevado), indiciando níveis de risco globalmente moderados em termos de impacto financeiro para as seguradoras. Ou seja, as zonas de maior risco não correspondem necessariamente a um maior nível de cobertura para risco em concreto, muito pelo contrário.

Já para o risco de incêndio rural, a exposição do setor é mais elevada. “A análise aos riscos de incêndio rural confirma que a maioria do capital seguro se encontra em zonas de perigosidade nula ou muito baixa, sobretudo em áreas urbanas. Contudo, persistem concentrações relevantes de risco médio, alto e muito alto nos territórios do interior e centro do país, onde a perigosidade estrutural é superior”, revela o terceiro relatório da ASF sobre a exposição do setor segurador às alterações climáticas.

Quanto ao contexto global e europeu, a ASF refere que “o momento atual é marcado por revisão de vários diplomas legislativos nesta área, no sentido de reconfiguração do fluxo de informação de sustentabilidade e também com efeitos sobre a responsabilidade empresarial de sustentabilidade”.

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