Fed e BCE decidem sobre juros durante guerra mas devem continuar em pausa, dizem analistas

O banco central norte-americano será o primeiro a revelar a decisão, em conferência de imprensa marcada para quarta-feira, acompanhada de novas previsões económicas.
Kevin Warsh é o novo presidente da Fed
Kevin Warsh é o novo presidente da FedFoto: Tierney L. Cross/Bloomberg
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A Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu decidem sobre política monetária esta semana, num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente que levanta receios quanto à inflação, mas os juros devem ficar inalterados, segundo analistas.

Michele Morganti, estrategista sénior de ações na Generali AM, apontou, numa análise, que "no cenário base, os bancos centrais deverão ignorar o pico temporário da inflação".

Estas reuniões ocorrem numa altura em que as tensões no Médio Oriente, incluindo o encerramento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito, têm trazido uma maior volatilidade nos preços, em particular da energia.

A Fed "provavelmente fará um corte de juros ainda este ano (mais cedo do que o mercado atualmente projeta), enquanto o BCE deverá manter as taxas inalteradas (face aos +47 pontos base projetados até o final do ano)", salientou a analista, sendo que "apenas num cenário de escalada prolongada" poderia esperar-se que "o BCE subisse as taxas em até 50 pb e o Fed em 25 pb até o final de 2026".

O banco central norte-americano será o primeiro a revelar a decisão, em conferência de imprensa marcada para quarta-feira, acompanhada de novas previsões económicas.

Na reunião de janeiro, o FOMC "manteve a taxa no intervalo dos 3,50% aos 3,75%, enfatizando uma abordagem dependente dos dados face a um crescimento resiliente e a pressões persistentes sobre a inflação subjacente", recordou a Xtb, numa nota de antecipação.

"Não se espera qualquer alteração", indicam os analistas da Xtb, com os "futuros a descontarem uma probabilidade de quase 100% de manutenção, mas todos os olhos estarão postos no resumo atualizado das projeções económicas, no novo gráfico de pontos e na conferência de imprensa do presidente Powell".

Segundo a Xtb, "os dados mais fracos do mercado de trabalho colocam a Fed numa situação algo complicada, uma vez que enfrenta pressões inflacionistas mais elevadas, tornando o equilíbrio dos riscos nas projeções atualizadas e as observações de Powell especialmente críticos para definir o tom das expectativas em relação às taxas muito para além da decisão imediata".

O BPI Research também prevê que a Fed "volte a manter a taxa dos 'fed funds' no intervalo dos 3,50%-3,75%" nesta reunião, uma decisão que é "amplamente descontada pelos mercados financeiros (probabilidade de 100%) e antecipada pelo consenso dos analistas".

Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz GI, é da mesma opinião, apesar de salientar que existe uma minoria que discorda em favor de um corte.

"Globalmente, espera-se que Powell reafirme uma postura de cautela, citando a baixa visibilidade a curto prazo, mas também o continuado otimismo pelos ganhos de oferta impulsionados pela IA e pela produtividade a médio prazo", disse, numa nota de análise.

Já o BCE dará conta do resultado da reunião de março na quinta-feira. O banco central também manteve a taxa de depósito inalterada nos 2% na última reunião, reiterando a sua expectativa de que a inflação se estabilize na meta dos 2% a médio prazo, enquanto salientou uma abordagem dependente dos dados.

"Embora não se preveja qualquer alteração nas taxas, as novas projeções e a conferência de imprensa da presidente Christine Lagarde serão acompanhadas com grande atenção", indicou a Xtb, sendo que o "aumento dos preços da energia devido às tensões no Médio Oriente obscureceu o caminho para a desinflação, provavelmente introduzindo um tom mais 'hawkish' nas perspetivas".

Segundo a Xtb, a expectativa dos mercados passou de uma manutenção das taxas durante a maior parte de 2026 para a possibilidade de um primeiro aumento de 25 pontos base para a reunião de julho, com um segundo aumento de 25 pontos base quase totalmente descontado para a reunião do BCE em dezembro.

Michael Krautzberger também indicou que o BCE deverá manter as taxas de juro inalteradas na sua próxima reunião, "ainda que adotando um tom mais vigilante em resposta à forte subida dos preços da energia após o conflito com o Irão".

"Com os mercados já a precificar uma probabilidade de cerca de 80% de um aumento da taxa de juro até ao final de 2026, esperamos que o BCE valide esta precificação em vez de a contestar", salientou.

Ainda que não se antecipe uma mudança iminente na política monetária, "a mensagem vai mudar para uma maior prontidão para agir caso as expetativas de inflação se comecem a desviar".

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