Cidades “fora do óbvio” no país estão nos planos da FlixBus em Portugal, que aposta em localidades do interior do território. Na passada semana, por exemplo, iniciou-se a operação na cidade de Castro Verde, no Alentejo, com pouco mais de sete mil habitantes.
“Este ano chegámos a Borba, chegamos a Estremoz, em Loulé, já vamos chegando a várias cidades do interior e capilarizando cada vez mais a rede”, diz, ao DN, Tiago Cavaco Alves, diretor de operações da empresa em Portugal. Em 2027, os planos são de continuar a expansão por todo o país. “Não podendo antecipar ainda exatamente que cidades e localizações, porque ainda temos de obter as autorizações de paragem e as posteriores autorizações, a nossa ideia é adicionar, se calhar, duas dezenas de novos destinos à rede FlixBus”, pontua Tiago Cavaco Alves.
“Muito no interior; também há alguns locais mais turísticos, mas não as principais cidades, onde ainda não paramos. De modo que cada vez podemos oferecer maior oferta, mais diversificada e aos melhores preços que as pessoas procuram”, detalha.
O diretor de operações afirma ficar “contente” que a empresa ajuda a fomentar o turismo “cá dentro” e que tenta “cada vez mais, não ir só aos pontos mais óbvios”. O responsável lembra que a operação foi permitida no país em 2019, mas logo houve a pandemia de Covid-19. Por isso, foi “somente em 2022 que o mercado passou a operar sem restrições”.
Desde então, o crescimento é ano após ano. “Nós temos tido um crescimento todos os anos, também porque temos aumentado a rede. Começámos com poucos destinos, os mais óbvios, como ligações para Porto, o Algarve, para cidades turísticas e para cidades universitárias”, recorda. “Viajavam sete milhões de pessoas em expressos em 2019. Hoje em dia estão nos 20 milhões”, salienta.
Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), no mercado português de transporte em autocarro, onde têm particular relevância as marcas Rede Nacional de Expressos (RNE) e FlixBus, o número de passageiros transportados aumentou cerca de 15% entre 2023 e 2024.
Na avaliação do diretor, aquilo que se espera com a liberalização do mercado ocorreu em Portugal, que é a diversidade de oferta e a queda dos preços. “É isso que tem acontecido. Há cidades que nunca tinham tido serviços expressos e agora têm, como Montijo e Cascais. Dou também o exemplo de Évora, que é um caso que eu conheço bem. Antes uma viagem para Évora custava sempre 12,50 euros, que era um preço um bocadinho abaixo do preço do comboio. Hoje não se encontra um bilhete por mais de seis euros, que é o preço justo por uma viagem de 150 quilómetros”, avalia.
Na visão do responsável, esta foi uma reforma imporante para o país. “Foi isso que a abertura à concorrência trouxe, e o serviço expressos faz parte, tal como a adaptação que os outros operadores fizeram à nova realidade do mercado, deste sucesso que o país teve ao aprovar esta lei. Falamos às vezes das reformas estruturais que o país precisa. Às vezes uma coisa básica muda muito. Acho que a abertura do mercado dos expressos é uma das últimas grandes reformas estruturais deste país”, defende.
O serviço definido como “expresso” é aquele que percorre pelo menos 50 quilómetros, tem um número limitado de paragens intermédias, utiliza veículos adequados a percursos de média e longa distância e transporta passageiros sentados. Em 2023, a Flixbus transportou 81 milhões de passageiros em todo o mundo, dos quais 55 milhões na Europa. Em Portugal, a empresa não divulga, nas fontes públicas consultadas, um total anual de passageiros. A operação nacional, no entanto, tem vindo a ser ampliada: no final de 2024, a FlixBus aumentou em 24% a oferta doméstica para responder ao crescimento da procura.
Esta semana a empresa iniciou a operação em Sete Rios, após uma longa batalha judicial com a Rede Expressos. A empresa foi autorizada a operar 23 horários, escolhidos para 20 destinos. Segundo Tiago Cavaco Alves, o processo “está longe de ser concluído”. Já foi solicitado que possam ter mais 20 horários no terminal, considerado o mais importante da cidade pelas ligações com outros meios de transporte e localização central.
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