A presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) defendeu hoje no parlamento separação entre as empresas que fazem a gestão dos terminais rodoviários e as empresas que aí operam para garantir acesso equitativo a esses terminais.Ana Paula Vitorino está a ser ouvida esta quarta-feira, 7, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação (CIMH), a pedido do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL), sobre os problemas de acesso aos terminais rodoviários de serviço expresso do país.Em resposta aos deputados, a presidente da AMT disse que uma das medidas que precisa de ser tomada para que a médio e longo prazo este problema seja resolvido é separar, na lei, o gestor dos terminais das empresas que aí operam.“Separação. Uma coisa é a gestão do terminal e outra a sua utilização", disse Ana Paula Vitorino, considerando contudo que no atual estado do mercado essa alteração à lei para a "separação vertical" necessitaria de prazo transitório de alguns anos.Já na terça-feira, no parlamento, o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) defendeu a mesma separação entre gestão e uso de terminais rodoviários.Nuno Cunha Rodrigues afirmou que a medida pode "assegurar um acesso equitativo e não discriminatório a interfaces e a terminais rodoviários".Nos últimos meses têm sido discutidos os problemas de acesso aos terminais rodoviários, designadamente devido ao conflito que opõe a Rede Nacional de Expressos e a FlixBus no terminal de Sete Rios, em Lisboa.A FlixBus, que opera serviços de autocarros de longa distância em diversos países europeus, fez mesmo queixas relativamente à recusa de acesso a determinados terminais em Portugal, incluindo o de Sete Rios, em Lisboa. Em maio, foi-lhe dada razão pela AMT.A entidade liderada por Ana Paula Vitorino determinou que o gestor do terminal deve autorizar o acesso da alemã FlixBus, e de quaisquer outros operadores que o solicitem, dentro dos horários disponíveis, não podendo recusar o acesso de forma injustificada.Segundo a AMT, “não foi provado o esgotamento da capacidade do terminal e foi confirmada a existência de capacidade disponível”.A Rede Expressos recorreu desta decisão da AMT.Em dezembro, ouvida também no parlamento, a Rede Expressos afirmou que o terminal de Sete Rios, em Lisboa, não “comportará a entrada dos serviços pedidos pela FlixBus”, alegando que a infraestrutura está “esgotada”.Segundo o gerente da Rede Nacional de Expressos, Martinho Costa, "o terminal está saturado”, tendo tido “um aumento de procura substancial a partir de 2018 pela entrada de uma população nova que não tem outros meios de deslocação a não ser os expressos”.Martinho Costa levantou também questões de segurança ao nível da infraestrutura, alegando que a entrada da FlixBus em Sete Rios causará a “passagem dos limites de segurança recomendados por um terminal rodoviário, tanto na utilização interna quanto nas vias de circulação exterior ao terminal”. .AMT recomenda auditoria externa ao plano de investimento na ferrovia