

Aos 20 anos, Madalena Gouveia já viveu em duas capitais europeias, debate conceitos políticos em aulas onde os alunos lideram a discussão e participa em reuniões com empresas para desenvolver produtos reais. Estuda no Forward College, o modelo que combina rigor académico da Universidade de Londres com competências práticas e soft skills trabalhadas desde o primeiro dia. “Tudo o que normalmente se aprende no 1.º ano, nós já aprendemos aqui”, diz. Depois de um Ensino Secundário tradicional, percebeu que as notas não chegavam para o mundo real. Em Paris, onde cumpre o 2.º ano, enfrenta o choque cultural, gere dois bacharelatos, joga ténis quatro vezes por semana e usa Inteligência Artificial como ferramenta de análise - sempre com a mesma premissa: não se trata de saber se usou IA, mas como e porquê.
Madalena não é uma aluna comum, mas o seu percurso começou num sistema que muitos reconheceriam: o estudo no Liceu Francês em Lisboa, conhecido pelo rigor e pela exigência de memorização. “Tive a melhor nota da escola toda. É um sistema que funciona para mim: ler muito, escrever muito, memorizar. Mas sempre tive a noção de que isso não é suficiente e não determina o sucesso”, confessa.
Foi numa feira escolar, três anos antes de terminar o Secundário, que o Forward College lhe “entrou pelos olhos dentro”. A banca do Forward estava vazia - os colegas optaram por ignorar um sistema inglês ainda desconhecido -, Madalena passou duas horas a conversar com o fundador, Boris Walbaum. O folheto que levou para casa ficou colado na parede do quarto até ao dia em que se pôde candidatar.
No Forward, o choque cultural não é acidente: é um método. A transição de Lisboa para Paris, no 2.º ano, é também o desafio da adaptação cultural. E no 3.º será Berlim. “Não há preparação em cultura. Eles querem que a pessoa tenha este choque cultural porque é assim que se aprende, com o enfrentar”, explica.
Academicamente, a rotina é tudo menos passiva. O Forward utiliza o conceito de flipped classroom. “Lemos toda a informação antes de sequer chegar à aula. Vamos debater um conceito de que nunca ouvi falar, mas já nos mandaram todos os materiais. Quando chegamos, todos os alunos estão super preparados e o que fazemos é conseguir debater imediatamente. Não é o professor a falar sozinho; é mesmo um debate, uma conversa, às vezes os alunos a liderar a aula.”
Um dos pilares diferenciadores do Forward é a avaliação feita pelo método 360º - atribuída por professores, colegas e até amigos - sendo que a dos seus pares, na escola, avalia as soft skills e vale um quarto da nota do seu curso de Business leadership, o segundo que frequenta, a par do de Política e Relações Internacionais, pela LSE/University of London. Afinal, a jovem quer ser diplomata e, além do ténis, até ocupa os seus tempos livres frequentando o Clube Diplomático da Cité Internationale Universitaire de Paris (CIUP).
Como frisa o fundador da escola, Boris Walbaum, o Forward está a proporcionar a jovens dos 18 aos 20 e poucos anos aprendizagens - 360º, coaching e workshops de desenvolvimento - que, por norma, só acontecem a executivos de alto rendimento aos 40 e 45 anos.
Também a tecnologia é abordada de forma crítica. Numa aula, Madalena chegou a negociar com um modelo de Inteligência Artificial treinado pelo professor para responder “como um diplomata chinês”, simulando cenários reais de política internacional. “A pergunta que nos fazem não é se usámos IA, mas de que maneira e por que razão essa foi a melhor maneira de a usar. Querem saber como usaste, porque não é uma ferramenta que resolve tudo. Dizem: usa sempre que puderes e fizer sentido, mas tem consciência do porquê.”
Para Madalena, a maior vantagem competitiva que levará para o mercado de trabalho não são apenas os diplomas de prestígio, mas a experiência acumulada de quem já sabe “fazer”. “Saber como se reage numa equipa, saber ter reuniões, saber desenvolver um produto ou marketing já está incluído no programa. Não é um programa altamente teórico em que, a seguir, vamos ter de compensar e aprender o que é o dia a dia de trabalho.”
Um dia típico, para Madalena Gouveia, começa cedo na biblioteca da CIUP, segue para aulas de duas horas e culmina em reuniões práticas.
O segredo, conclui, está no próprio slogan da escola: “Não são inteligências digitais ou futuristas. São Inteligências Humanas.”