Fórum BCE volta a Sintra e na ementa tem temas como imigração, IA e criptoativos

Fórum BCE decorre, como sempre, num resort de luxo em Sintra. Entre 29 de junho e 1 de julho, dezenas de banqueiros centrais, académicos e gestores da alta finança mundial reunem-se em Portugal.
Christine Lagarde, presidente do BCE, numa das edições passadas do Fórum, em Sintra.
Christine Lagarde, presidente do BCE, numa das edições passadas do Fórum, em Sintra.Foto: Banco Central Europeu
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O encontro anual do Banco Central Europeu (BCE) – o Fórum BCE – que decorre num hotel de luxo em Sintra, Portugal (este ano será a 13.ª edição), vai debater alguns temas fraturantes da economia atual: imigração, emprego e produtividade, inteligência artificial (IA) e riscos para a estabilidade financeira, ou "desafios e oportunidades" dos criptoativos e das moedas digitais foram alguns dos escolhidos para o programa de debates do Fórum que dura três dias (começa a 29 de junho e termina a 1 de julho), segundo a instituição sediada em Frankfurt, na Alemanha.

O tema chapéu deste ano é "Moldando o futuro da Europa: inovação, crescimento e estabilidade".

Desde 2014, inclusive, na altura pela mão do presidente do BCE Mario Draghi, a autoridade monetária lançou esta iniciativa anual em Portugal, ao jeito do encontro organizado há muitos anos pela Reserva Federal dos Estados Unidos, na estância de esqui de Jackson Hole, no estado do Wyoming, em agosto.

Na altura esta ideia de fazer um grande debate sobre temas de política monetária e económica em Portugal até foi vista como uma forma de premiar o país por ter terminado "com sucesso" o programa de ajustamento da troika.

Este ano, com Christine Lagarde aos comandos do BCE (o seu mandato não renovável de oito anos termina no final de outubro de 2027), o Fórum regressa ao verão português.

Além dos painéis de debate, o Fórum tem um concurso para jovens economistas (em doutoramento) no qual o vencedor ganha um prémio de 10.000 euros. As candidaturas terminaram a 2 de março passado.

Cada bilhete individual para entrar no Fórum, que reúne sempre muitas dezenas de altos responsáveis e profissionais da banca central, das universidades e do sector financeiro, custa 1.500 euros para ajudar a "cobrir alguns custos associados", diz o BCE.

O primeiro dia completo do evento, a 30 de junho, abre com a discussão de dois artigos de investigação económica no palco do Fórum. Um sobre inovação e produtividade, outro sobre regulação e risco sistémico.

Depois começam os painéis. O primeiro é sobre "Inteligência artificial e estabilidade financeira" e será moderado por Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu.

O debate será entre Tobias Adrian, Conselheiro Financeiro e Diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do Fundo Monetário Internacional, Sarah Breeden, Vice-Governadora para a Estabilidade Financeira do Banco de Inglaterra, Itay Goldstein, Professor da Universidade da Pensilvânia, e Torsten Slok, Economista-Chefe da Apollo Global Management.

Depois de almoço, mais uma dose de IA, com uma "conversa" entre Aaron Chatterji, Economista-Chefe da OpenAI e Professor na Universidade de Duke, e Philip Lane, Membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (e também economista-chefe). O dia termina aqui e vão todos jantar.

O dia seguinte (1 de julho) abre com uma discussão sobre sobre o delicado tema da imigração e de um artigo científico.

O mote é "Migração: implicações para a produtividade e o crescimento na Europa" e a discussão será moderada pelo croata Boris Vujčić, o novo Vice-Presidente do BCE, o sucessor do espanhol Luis de Guindos.

O artigo em causa é intitulado "O impacto da imigração no emprego, nos investimentos e na produtividade nos países da OCDE", da autoria de Giovanni Peri, Professor da Universidade da Califórnia.

O seu trabalho será confrontado e criticado pelo professor Hillel Rapoport, da Escola de Economia de Paris.

A segunda discussão de papers do dia é sobre outro tema escaldante da atualidade: criptoativos e moedas digitais.

No palco será abordado o tema "Tokenização: desafios e oportunidades quando o dinheiro, os pagamentos e as transações financeiras se tornam digitais".

A discussão será moderada por Piero Cipollone, Membro do Conselho Executivo do BCE. O artigo em debate será sobre um caso prático e as "lições a retirar do Projeto Hangang", na Coreia do Sul. O autor do paper é o próprio Governador do Banco da Coreia, Hyun Song Shin, que o escreveu em coautoria com os economistas Jaemin Ryu, Joonyi Sung e Sung Guan Yun, todos do banco central do país asiático.

A leitura e a crítica ao artigo caberão a Catherine Casamatta, professora da Escola de Economia de Toulouse.

Nesse dia ainda haverá um painel sobre o mundo pós-tarifas de Donal Trump, o presidente dos EUA, e sobre "o papel da Europa na nova paisagem do comércio global".

Como habitualmente, o Fórum BCE encerra com o debate entre banqueiros centrais, pela primeira vez sem a presença do presidente da Reserva Federal (Fed). Jerome Powell, até agora um habitué em Sintra, terminou o seu mandato sobre fogo cerrado e insultos de Trump.

O Presidente norte-americano indicou Kevin Warsh para a sucessão de Powell à frente do maior banco central do mundo. O nome de Warsh foi aprovado esta terça-feira pelo Senado dos EUA.

O painel de encerramento contará assim com apenas três líderes da banca central.

Andrew Bailey (Governador do Banco de Inglaterra), Christine Lagarde (BCE) e Tiff Macklem (Governador do Banco do Canadá).

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