Gasolina dá maior salto em quatro anos e gasóleo bate recorde histórico
Os postos de abastecimento em Portugal aplicam a partir desta segunda-feira, 7 de setembro, aumentos de dimensão histórica em ambos os combustíveis rodoviários. O gasóleo simples sobrecarrega a fatura dos condutores com uma subida líquida de 12 cêntimos por litro - após uma pressão bruta de mercado de 15 cêntimos -, fixando um preço médio de referência em redor dos 2,149 euros por litro que quebra o máximo de sempre registado no país. Em simultâneo, a gasolina simples 95 encarece nove cêntimos por litro (12 cêntimos em termos brutos), atingindo cerca de 2,112 euros por litro, o que representa o maior salto semanal verificado neste produto nos últimos quatro anos.
Para amortecer o impacto da escalada nas cotações internacionais dos refinados, o Governo interveio à última hora através da Portaria n.º 404-A/2026/1, publicada pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério do Ambiente e Energia. O diploma, apresentado na sexta-feira pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, ditou um corte adicional de três cêntimos por litro nas taxas unitárias do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para ambos os combustíveis.
Com esta atualização, o desagravamento fiscal extraordinário concedido pelo Estado passa a totalizar 23 cêntimos por litro no gasóleo e na gasolina, acumulando sucessivos apoios em vigor desde o eclodir da guerra na Ucrânia em 2022.
O agravamento desta segunda-feira inverte com violência a dinâmica verificada na semana anterior, compreendida entre 31 de agosto e 6 de setembro, período em que o gasóleo tinha recuado 3,7 cêntimos para uma média de 2,029 euros por litro, permitindo inclusive um ligeiro acerto fiscal em sentido inverso por parte da tutela.
No caso da gasolina 95, a subida desta semana marca a quinta semana consecutiva de encarecimento, após ter quebrado a barreira dos dois euros no início do mês.
Na prática, atestar um depósito de 50 litros passa a custar um total de 107,45 euros com gasóleo e 105,60 euros com gasolina - mais 6,00 euros e 4,50 euros face aos preços de domingo -, fatura que seria agravada em 7,50 e 6,00 euros, respetivamente, sem o travão fiscal.
Em termos históricos, a subida bruta de 15 cêntimos no gasóleo supera o recorde semanal estabelecido em março de 2022 (quando subiu 14,2 cêntimos no deflagrar da invasão da Ucrânia) e projeta o preço médio para lá do pico absoluto de 2,131 euros por litro atingido em junho de 2022.
A pressão assimétrica sobre o gasóleo decorre do défice estrutural de destilados médios no espaço europeu e de restrições na refinação internacional, penalizando um segmento que representa mais de três quartos do consumo rodoviário nacional. Já na gasolina, embora o valor permaneça abaixo do recorde histórico de 2,19 euros de 2022, o salto de nove cêntimos líquidos é o mais acentuado desde junho desse mesmo ano.
Os dados recolhidos junto do setor apontam ainda para uma forte disparidade territorial e tipológica: enquanto os postos de hipermercado e redes de baixo custo mantêm valores médios mais contidos, nas autoestradas o gasóleo simples e a gasolina 95 ameaçam superar os 2,35 e os 2,40 euros por litro.
Apoio agrícola em avaliação, mas ‘Não’ à descida do IVA
No plano político, o Executivo já admitiu avançar com a reposição de apoios diretos ao gasóleo agrícola e avaliar novos mecanismos de mitigação caso as cotações internacionais se mantenham em níveis críticos.
Ainda assim, perante a escalada de preços, o Governo não equaciona mexer no IVA. Pelas contas do Executivo, o desconto continuado no ISP representa uma renúncia orçamental acumulada superior a 700 milhões de euros em 2026, defendendo a tutela que o Estado está a suportar um esforço financeiro direto expressivo para proteger o rendimento das famílias e os custos operacionais das empresas de transporte.
Contas diferentes faz a oposição, que contesta a existência de uma perda efetiva de receita líquida para os cofres públicos. As bancadas da oposição sustentam que, ao manter os preços finais em patamares recorde acima dos dois euros, a cobrança de IVA a 23% arrecada montantes extraordinários que anulam ou superam aquilo de que o Governo abdica no ISP, voltando por isso a exigir uma redução direta da taxa de IVA.

