

A Google divulgou esta quinta-feira (16 de abril) o seu Relatório de Segurança de Anúncios de 2025, apresentando resultados que, segundo a empresa, demonstram o impacto transformador da Inteligência Artificial na proteção do ecossistema digital. Através da integração profunda do modelo de IA Gemini, a tecnológica afirma ter conseguido bloquear ou remover mais de 8,3 mil milhões de anúncios no último ano. A relevância destes números é sublinhada pelo facto de a Google ser o pilar central da publicidade online global, controlando cerca de 83% das receitas de publicidade em motores de busca e capturando mais de 26% de todo o investimento em publicidade digital a nível mundial, de acordo com dados do mercado independentes.
O dado mais expressivo deste balanço, avançado pela própria Google, é a taxa de eficácia proativa: a empresa assegura que 99% dos anúncios que violam as suas políticas foram intercetados pelos sistemas antes mesmo de serem exibidos a qualquer utilizador. Este avanço é apresentado pela tecnológica não apenas como uma atualização técnica, mas como uma mudança estrutural na sua filosofia de defesa.
Durante a conferência de imprensa internacional de apresentação dos dados, Keerat Sharma, VP & General Manager de Privacidade e Segurança de Anúncios da Google, explicou que a equipa não se limitou a adicionar camadas de IA aos sistemas preexistentes. "Demos um passo atrás e repensámos como queríamos construir a segurança dos anúncios a partir do zero, num mundo onde temos um ativo como o Gemini", afirmou, reforçando que o objetivo declarado pela equipa é impedir que a toxicidade chegue a ter qualquer exposição pública.
Esta transição para uma segurança baseada em IA permitiu, segundo o relatório da gigante das pesquisas, passar de uma análise ríspida baseada em palavras-chave para uma compreensão profunda da intenção do anunciante. A Google detalha que o seu sistema cruza agora “centenas de milhares de milhões de sinais simultâneos”, incluindo “a longevidade da conta, padrões de comportamento em campanhas anteriores e o conteúdo real das páginas de destino”. Esta capacidade de distinção terá permitido à empresa “reduzir em 80% as suspensões incorretas de contas legítimas”, corrigindo um dos maiores pontos de fricção reportados por empresas honestas.
Sharma detalhou este processo, notando que, ao compreender a intenção, a plataforma consegue "encaminhar os bons atores para uma experiência com muito menos obstáculos", focando o poder de fogo dos algoritmos apenas naquilo que identifica como burlões.
A velocidade de resposta é apontada pela Google como o novo campo de batalha num cenário que a empresa descreve como um "espaço adversarial" em constante mutação. No final de 2025, a tecnológica indica ter posto em prática uma infraestrutura para os Anúncios de Pesquisa Responsivos que reduziu o tempo de análise de minutos para meros milissegundos. De acordo com os dados fornecidos, esta proatividade resultou na suspensão de 24,9 milhões de contas e na remoção de 602 milhões de anúncios que a Google classificou como especificamente associados a esquemas fraudulentos.
Para o futuro imediato, o plano revelado pela empresa é alargar esta barreira de proteção instantânea a todos os tipos de formatos publicitários. Segundo Keerat Sharma, a expansão deste feedback em tempo real para lá da rede de pesquisa é a grande prioridade da Google para 2026, com o intuito de garantir que o conteúdo identificado como nocivo seja bloqueado no exato momento da sua submissão.
A par do reforço tecnológico, a Google reporta ter mantido o rigor nas políticas de conteúdo em plataformas de editores, onde afirma ter aplicado medidas de fiscalização em mais de 480 milhões de páginas web, com uma taxa de deteção por sistemas de IA que a empresa situa acima dos 97%.
Sendo a política de anúncios da empresa norte-americana algo em constante afinação, a sua postura em relação ao discurso político na Europa foi das áreas que sofreu maior mudança recente. A tecnológica reafirmou o seu distanciamento total deste setor no mercado europeu, confirmando que, desde outubro de 2025, deixou de servir anúncios políticos em todos os Estados-membros da União Europeia.
Esta decisão estratégica, que a Google diz pretender manter durante todo o ciclo eleitoral de 2026, reflete a complexidade regulatória e a vontade da empresa em evitar a propagação de conteúdos manipulados ou desinformação em momentos democráticos críticos.
Este conjunto de medidas, que alia a potência do Gemini a uma política de verificação que a Google diz já abranger 90% dos anúncios servidos, procura, segundo a empresa, assegurar a confiança num sistema por onde passam centenas de milhares de milhões de euros anualmente.