Governo flexibiliza acesso a água no Alqueva para responder à procura agrícola

Limite máximo de utilização de água por cultura sobe de 110% para 125% e aquela que for consumida além do contratado continuará a ser faturada, mas com um preço diferente por escalões.
Governo flexibiliza acesso a água no Alqueva para responder à procura agrícola
Governo flexibiliza acesso a água no Alqueva para responder à procura agrícola Adelino Meireles / Global Imagens
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O Governo aprovou um despacho que revê o regime de exploração do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) e atualizou o enquadramento tarifário da água para a agricultura, mantendo inalterado o preço para os volumes contratualizados e reforçando a flexibilidade do sistema.

Pela nova norma, o limite máximo de utilização de água por cultura sobe de 110% para 125%, permitindo que os agricultores acedam a volumes suplementares sempre que as condições o justifiquem.

A água consumida além do contratado continuará a ser faturada, mas com um preço diferente por escalões, com coeficientes de agravamento que podem chegar até 400% sobre a tarifa vigente no último escalão.

O despacho, assinado pelos ministros das Finanças, do Ambiente e Energia, e da Agricultura e Mar, elimina também a tarifa reduzida aplicada nos primeiros anos de exploração do Alqueva, medida que vigorou enquanto se incentivava a adesão ao regadio.

O Governo justifica a alteração pela estabilização dos sistemas produtivos e pelos elevados níveis de utilização atuais, com o objetivo de assegurar a sustentabilidade económica do EFMA.

Além disso, a revisão do contrato de concessão prevê que, sempre que as condições o permitam, possa ser disponibilizado um adicional de até 100 hm³ de água para a agricultura, para responder ao aumento da procura por regadio e por abastecimento público e industrial.

O despacho contempla igualmente a realização de estudos e projetos ambientais para novas infraestruturas de regularização de caudais em afluentes do rio Guadiana e para a interligação das albufeiras do Monte da Rocha e de Santa Clara, a financiar pela área governativa do ambiente, com vista a reforçar a sustentabilidade do sistema.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma que "esta decisão assegura estabilidade e previsibilidade para os agricultores, mantendo inalteradas as condições da água contratualizada, e reforça a responsabilidade na gestão de um recurso estratégico".

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, acrescenta que o Executivo está "a dar previsibilidade aos agricultores, estabilidade aos investimentos já realizados e sustentabilidade ao sistema".

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