Grupo internacional avisa para colapso das regras do comércio marítimo

O Grupo Consultivo de Transporte Marítimo junta autoridades de 18 países, incluindo Portugal. Declaração é a primeira em 60 anos e avisa para riscos nas cadeias de abastecimento por mar.
Comércio marítimo em risco
Comércio marítimo em risco EPA/ERDEM SAHIN (Arquivo)
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Um grupo informal de cooperação entre 18 autoridades nacionais avisou esta terça-feira, 8 de setembro, para o colapso do conjunto de regras que rege o transporte marítimo de mercadorias devido ao crescimento das tensões geopolíticas.

O Grupo Consultivo de Transporte Marítimo (CSG, na sigla inglesa), que inclui autoridades de países como Portugal, Singapura, Canadá, Reino Unido e Alemanha, fez este aviso naquela que foi a primeira intervenção pública do grupo criado na década de 1960 e que representa mais de um quinto de todo o comércio internacional.

No comunicado, noticiado pela CNBC, o grupo especifica que mais de 80% do comércio global ocorre através do mar e que, sem esta forma de comércio, "as cadeias de abastecimento fragmentar-se-iam e a economia global, tal como a conhecemos, ficaria paralisada de forma repentina".

Mas estas cadeias de abastecimento têm sofrido várias perturbações nos últimos anos, como a pandemia da Covid-19 e as guerras na Ucrânia e no Irão.

No caso da guerra da Ucrânia, as sanções ocidentais deram origem à criação da chamada "frota fantasma" da Rússia. Já no Médio Oriente, o bloqueio do estreito de Ormuz afetou a movimentação marítima e os preços do petróleo. Todos estes eventos, avisa o CSG, não são "choques pontuais", mas sim "sinais de uma mudança estrutural no ambiente operacional do comércio global".

E estas mudanças estão a trazer "fricção" para a cadeia de abastecimento global, explica o CSG, com "abordagens divergentes" de região para região, "medidas de comércio discriminatórias" e a transformação das rotas marítimas em "instrumentos de influência e de risco".

"O transporte marítimo global funciona melhor quando as regras são claras e consistentes em todo o mundo", lê-se no comunicado, que explica que a "fragmentação das regras conduz diretamente à fragmentação dos mercados e, em última análise, a custos mais elevados para as empresas e os consumidores".

As "frotas fantasmas", criadas precisamente devido à fragmentação dos mercados, são um exemplo destas fragmentações, operando "dos padrões de seguro, segurança e transparência".

"Isto cria sistemas paralelos no transporte marítimo global, aumenta o risco e contorna as normas ambientais e de segurança, minando a confiança e a previsibilidade nos mercados marítimos", lê-se na declaração conjunta do CSG.

"O resultado é um sistema de dois níveis: um regido por regras e o outro pela opacidade, o que, em última análise, enfraquece ambos", continuam.

Ao Financial Times, Brian Wessel, diretor-geral da autoridade marítima dinamarquesa, que lidera o CSG, avisou que as regras definidas pela Organização Marítima Internacional (OMI) -- órgão da ONU responsável por defender as normas internacionais do transporte marítimo -- estão a ser ativamente minadas com este novo padrão.

"Durante décadas, construímos o comércio global com base no pressuposto de que os navios podem circular livremente através das fronteiras. Esse pressuposto está agora sob pressão", disse Wessel ao jornal britânico.

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