Em março, a confiança dos consumidores voltou a reduzir‑se e situou‑se no valor mais baixo desde dezembro de 2023, enquanto o indicador do clima económico desceu para patamares semelhantes aos de um ano atrás, segundo os inquéritos de conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta segunda-feira, 30.
O ambiente internacional, nomeadamente o conflito no Médio Oriente, tem pressionado as expectativas de preços.
O INE refere que a queda da confiança nos últimos dois meses se acentuou em março, sobretudo por causa das piores perspetivas quanto à evolução futura da economia nacional e à situação financeira das famílias.
Também pesaram, ainda que em menor escala, avaliações negativas sobre a situação financeira passada dos agregados familiares e a diminuição das expectativas de realização de compras importantes.
O saldo das expetativas sobre a evolução económica futura do país recuou nos últimos dois meses e em março atingiu o nível mais baixo observado desde janeiro de 2023. Em paralelo, as expectativas de subida dos preços aumentaram nos três meses recentes, registando em março um dos maiores saltos da série e o valor mais elevado desde março de 2022.
No lado empresarial, o clima económico retraiu em março depois de uma ligeira melhoria em fevereiro.
A confiança reduziu‑se sobretudo no comércio e na construção, enquanto melhorou nos serviços e na indústria transformadora. Neste último setor, os inquéritos apontam para avaliações mais favoráveis sobre os stocks de produtos acabados e uma perceção de procura mais robusta, o que sustentou um ligeiro aumento do indicador nos últimos dois meses.
O INE sublinha ainda que as expectativas dos empresários sobre os preços de venda aumentaram, refletindo receios de aceleração inflacionista ligados às tensões no Médio Oriente, com impacto potencial nos preços do petróleo.