

Os preços em Espanha subiram 3,4% em março face ao mesmo mês de 2025, anunciou esta terça-feira, 14, o Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol.
É um aumento que as autoridades atribuem, em grande parte, ao encarecimento dos combustíveis resultante, sobretudo, do conflito no Médio Oriente.
A leitura de março traduz um agravamento face aos 2,3% registados em fevereiro e, se confirmada, corresponderá à taxa homóloga mais elevada desde junho de 2024.
Neste contexto, o INE destaca também a contribuição da eletricidade, uma vez que, embora os preços elétricos tenham descido, a queda foi menos acentuada do que há um ano, pelo que exerceram um efeito ascendente sobre a inflação.
Já a inflação subjacente — que exclui energia e produtos alimentares frescos — situou‑se em 2,9% em março, duas décimas acima de fevereiro, sinalizando uma pressão subjacente mais persistente nos preços.
Em cadeia, isto é, comparando com o mês anterior, os preços aumentaram 1,2% em março, oito décimas acima do crescimento verificado em fevereiro.
O INE associa parte do aumento dos combustíveis ao conflito no Médio Oriente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, que começou no final de fevereiro e tem pressionado os mercados energéticos internacionais.
Perante este cenário, o Governo espanhol aprovou um pacote de resposta económica com 80 medidas, em vigor desde 20 de março, destinado a mitigar o impacto do choque externo sobre os preços domésticos.
Entre as medidas anunciadas estão cortes do IVA na eletricidade, gás natural e combustíveis, reduzindo a taxa de 21% para 10% — o nível mínimo permitido pela UE — e uma descida global de 60% dos impostos sobre a fatura elétrica.
Para além disso, foram previstas ajudas específicas, como descontos no gasóleo para transportadoras, apoio ao setor agropecuário e à pesca, subsídios para a compra de fertilizantes e um teto para o preço do gás butano e propano.
O executivo reforçou ainda os mecanismos de proteção social, ampliando os apoios no pagamento da eletricidade às famílias vulneráveis, numa tentativa de atenuar os efeitos distributivos da escalada de preços.
O Ministério da Economia salientou, em comunicado, que estas intervenções deverão contribuir para moderar a inflação nos próximos meses.
Por fim, o ministério sublinhou que a maior presença das renováveis no mix energético e a menor dependência do petróleo em Espanha ajudaram a amortecer, em parte, a subida dos preços em março, mesmo perante a pressão exercida pelos combustíveis no mercado internacional.