Investidores trocam software por hardware de IA. Dow Jones rompe barreira histórica dos 50 mil pontos

Após o pânico do "Software-mageddon", anúncio de investimentos em infraestruturas funciona como balão de oxigénio para os fabricantes de 'chips'.
Investidores trocam software por hardware de IA. Dow Jones rompe barreira histórica dos 50 mil pontos
Ilustração: RSF / Gemini AI
Publicado a

O mercado financeiro norte-americano deu esta sexta-feira, 6 de fevereiro. uma resposta clara à incerteza que no dia anterior (5) varreu o setor tecnológico. Numa reviravolta que culminou com o índice Dow Jones a fechar, pela primeira vez na história, acima dos 50.000 pontos, os investidores demonstraram que o ceticismo em relação ao retorno imediato do software de Inteligência Artificial (IA) está a ser compensado por uma aposta agressiva no hardware que a sustenta.

Segundo noticia a Reuters, o Dow Jones atingiu os 50.115,67 pontos, um máximo histórico que reflete uma nova fase de confiança no silício. Este movimento de rotação ganhou força após a Amazon ter visto, esta mesma sexta, uma queda de 5,6% nas suas ações, na sequência da previsão de um aumento superior a 50% nos gastos de capital (CapEx) para este ano, intensificando a corrida para dominar a infraestrutura de IA.

Dos serviços para a infraestrutura

Se na quinta o "Software-mageddon" apagou 800 mil milhões de dólares do mercado — sinal de desconfiança na rentabilidade imediata dos serviços de IA — um dia depois o capital procurou abrigo na "venda das picaretas e pás".

Investidores trocam software por hardware de IA. Dow Jones rompe barreira histórica dos 50 mil pontos
Bolha de IA abana: "Software-mageddon" apaga 800 mil milhões de dólares do mercado

A Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, disparou 7,8%. O otimismo estendeu-se à Advanced Micro Devices (AMD), que saltou 8,3%, e à Broadcom, com uma subida de 7,1%. O índice de semicondutores de Filadélfia (.SOX) encerrou o dia com ganhos de 5,7%, validando a tese de que o dinheiro das gigantes tecnológicas está a fluir diretamente para os fabricantes de chips.

O "chão" da correção

Apesar de o índice de Software e Serviços do S&P 500 ter registado a sua pior semana desde março de 2020, o fecho desta sexta-feira trouxe uma recuperação técnica. Empresas como a CrowdStrike e a Palantir subiram mais de 4%. Em declarações à Reuters, Ross Mayfield, analista de estratégia de investimento da Baird, sublinhou que "existem indícios suficientes de que há procura real por produtos de IA", o que criou um suporte para que os investidores voltassem a comprar após a liquidação agressiva de quinta-feira.

Os dados da LSEG reforçam este sentimento positivo: com mais de metade das empresas do S&P 500 a terem já reportado resultados, cerca de 80% superaram as expectativas dos analistas, um valor significativamente acima da média histórica de 67%.

Diversificação e recordes

O dia não foi apenas marcado pela tecnologia. A subida do Dow Jones refletiu também uma fuga para setores mais tradicionais. Segundo os dados de mercado citados, os índices de Energia, Industriais e Bens de Consumo Básico também atingiram máximos históricos.

O saldo da semana, contudo, permanece misto. Enquanto o Dow Jones somou 2,5%, o Nasdaq, mais exposto ao setor de software que na quinta-feira esteve sob fogo cruzado, terminou o período com uma perda acumulada de 1,9%, confirmando que a "ressaca" da IA, embora atenuada, ainda domina as preocupações de Wall Street.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt