Irão: China pode aproveitar guerra para reforçar posição global

Economista Tej Parikh refere, em artigo de opinião publicado no Financial Times, que o país “tem vindo a preparar-se para uma crise como esta há anos”
Irão: China pode aproveitar guerra para reforçar posição global
ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA
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A China poderá transformar o conflito com o Irão numa oportunidade para reforçar a posição na economia global, graças à diversificação energética, reservas acumuladas e aposta nas tecnologias limpas, defendeu esta segunda-feira, 30, o analista Tej Parikh.

Num artigo de opinião publicado no jornal britânico Financial Times, Parikh sustentou que, embora a guerra represente riscos para Pequim, enquanto maior importador mundial de petróleo, o país “tem vindo a preparar-se para uma crise como esta há anos” e está “bem posicionado para transformar o conflito numa vantagem”.

Segundo o economista, a China dispõe de vastas reservas estratégicas de combustíveis fósseis, estimadas em cerca de 1,3 mil milhões de barris, tendo acumulado “as maiores reservas de emergência de petróleo do mundo”, além de ter reduzido a dependência de rotas críticas como o estreito de Ormuz, diversificando fornecedores e reforçando importações por via terrestre, nomeadamente da Rússia e do Turquemenistão.

O analista destacou que a forte aposta chinesa na eletrificação e nas energias renováveis, sendo que a eletricidade representa cerca de 30% do consumo energético, torna o país menos vulnerável a choques nos preços globais do petróleo, ficando “mais protegido face à subida dos preços globais da energia”.

“O conflito poderá permitir à China suportar vários meses de perturbações, enquanto a maior proteção face aos preços globais da energia tornará os seus exportadores mais competitivos”, indicou Parikh.

O especialista sublinhou também que o investimento em tecnologias verdes poderá sair reforçado com o conflito, numa altura em que empresas chinesas representam “pelo menos 70% da capacidade global de produção” em tecnologias como solar, baterias e veículos elétricos.

Segundo o analista, Pequim poderá ainda posicionar-se como fornecedor alternativo de energia e matérias-primas críticas para países afetados pela instabilidade no Médio Oriente, atuando como “fornecedor de último recurso”, graças às suas reservas e capacidade industrial.

Parikh apontou igualmente para potenciais ganhos geopolíticos, nomeadamente no reforço do papel internacional da moeda chinesa, num contexto em que o conflito “poderá ser o catalisador para uma erosão da dominância do petrodólar” e o início de um “petroyuan”.

Apesar destas vantagens, o economista alertou que a economia chinesa não ficará imune aos efeitos do conflito, enfrentando possíveis pressões sobre custos e abastecimento, bem como riscos associados a uma eventual recessão global.

Mas “aqueles que esperam que a guerra enfraqueça o estatuto da China como superpotência estão enganados”, apontou Tej Parikh, sublinhando que o planeamento de longo prazo, a diversificação e a capacidade de adaptação tornam o país particularmente resiliente.

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