

A presidente da Comissão Europeia admitiu esta quarta-feira, 11, impor tetos ao preço do gás, salientando que o aumento do preço da energia já está a custar três mil milhões de euros aos contribuintes, mas recusou aumentar as importações da Rússia.
“Desde o início do conflito [no Irão] os preços do gás aumentaram 50% e os do petróleo 27%. Traduzindo isso em euros, 10 dias de guerras já custaram aos contribuintes europeus mais três mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis. Esse é o preço da nossa dependência”, afirmou, intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu, antes de deixar um aviso.
“Na atual crise, alguns defendem que devemos abandonar a nossa estratégia de longo prazo e inclusive regressar aos combustíveis fósseis russos. Isso seria um erro estratégico, tornar-nos-ia mais dependentes, mais vulneráveis e mais fracos”, disse, numa alusão ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que escreveu esta semana uma carta à Comissão Europeia a pedir o levantamento das sanções da União Europeia (UE) às importações de petróleo russo.
Von der Leyen reconheceu que, devido ao conflito no Médio Oriente, “as famílias e as empresas europeias estão a enfrentar uma forte pressão” com o aumento dos preços da energia e defendeu que a UE deve “aliviá-las”.
“Devemos analisar de forma abrangente como podemos reduzir as faturas de energia. Não olhando apenas para uma componente, mas sim para as quatro componentes que determinam o preço: os custos da própria energia – que representam em média mais de 56% –, os encargos com a rede (18%), impostos e taxas (15%) e os custos do carbono (11%)”, afirmou.
Apelando a que se tomem medidas ao nível destas quatro componentes, Von der Leyen disse que existe atualmente, “de forma geral”, apoio ao sistema de fixação dos preços de energia, que se baseia no gás natural, sugerindo que não defende uma revisão desse sistema, mas sim medidas para controlar e reduzir o impacto do gás no preço da eletricidade.
“Estamos a preparar diferentes opções: um melhor uso dos Contratos de Compra de Energia e dos Contratos por Diferença, medidas de auxílio estatais e a exploração da possibilidade de subsidiar ou impor um teto ao preço do gás”, referiu.
No que se refere aos custos relacionados com a rede, Von der Leyen reconheceu que se trata de um “assunto delicado”, salientando que esses encargos são necessários para investimentos em infraestruturas mais modernas, mas, ao mesmo tempo, “há espaço para melhorar a produtividade da rede, para que menos energias renováveis sejam desperdiçadas.”
“No ano passado, instalámos mais 80 gigawatts de energias renováveis na UE. Foi um recorde. Mas seis vezes mais energia renovável não consegue aceder às redes. Ou seja, se produzíssemos seis vezes mais renováveis, grande parte seria desperdiçada. Isto simplesmente não é sustentável”, defendeu.
A nível de impostos e taxas, a presidente da Comissão Europeia salientou que é uma competência nacional, mas observou que há grandes disparidades entre Estados-membros em matéria fiscal e alguns países estão a “taxar a eletricidade a um nível muito mais elevado do que o gás”.
“Para vos dar um exemplo: um Estado-membro não tem qualquer imposto sobre a eletricidade de retalho, enquanto outros aplicam mais de 16%. Há, portanto, margem para agir”, defendeu.
Por último, o que se refere ao preço do carbono, Von der Leyen defendeu o Regime de Comércio de Emissões da UE, frisando que, se não existisse, hoje a Europa estaria a consumir “mais 100 mil milhões de metros cúbicos de gás”.
“Por isso, precisamos do Regime de Comércio de Emissões, mas precisamos de modernizá-lo”, disse, pedindo aos eurodeputados que trabalhem em conjunto com a Comissão Europeia em todas estas matérias.