

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou esta quinta-feira, 5, que o bloco não depende do petróleo dos países do Golfo para o seu abastecimento energético, pelo que não tem motivos entrar em pânico com eventuais disrupções.
“Nós não dependemos do petróleo proveniente dos Estados do Golfo, por isso não sofremos com impactos na segurança do abastecimento. Claro que, quando os preços de mercado aumentam, isso tem impactos mais vastos, mas por enquanto ainda não estamos a assistir isso. Por isso, não há motivos para entrar em pânico”, afirmou Kaja Kallas.
A Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança falava aos jornalistas, em Bruxelas, à entrada para uma reunião por videoconferência entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 e os seus homólogos dos países do Golfo: Bahrein, Kuwait, Qatar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Kallas frisou, contudo, que a UE está “muito preocupada” com a segurança das rotas marítimas no Médio Oriente e em particular no estreito de Ormuz, salientando que é precisamente por isso que foram enviados navios europeus para a região.
“A segurança do estreito de Ormuz e das rotas comerciais é extremamente importante para a UE e para os países do Golfo. Por isso, estamos a tentar manter essas rotas abertas”, afirmou, indicando que há atualmente duas missões da UE na região, ainda que não diretamente no Estreito de Ormuz: a operação Aspides, no Mar Vermelho, e a Atalanta, também no Mar Vermelho e Oceano Índico Ocidental.
Em termos de impactos a nível das migrações, Kallas disse que, até ao momento, ainda não se está a assistir a um aumento dos fluxos migratórios do Médio Oriente para a Europa.
“Mas, claro, se a guerra se prolongar, os riscos de pressão migratória vão aumentar e temos de estar preparados. Por isso é que estamos a falar com outros países com quem cooperamos para perceber como é que podemos lidar com esta situação”, referiu.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.