Japão admite divergências com EUA sobre investimentos previstos em acordo comercial

Tóquio declarou hoje que vai acelerar as negociações.
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Japão admite divergências com EUA sobre investimentos previstos em acordo comercial FRANCK ROBICHON
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O ministro da Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, reconheceu divergências com os Estados Unidos relativamente à alocação dos 550 mil milhões de dólares que Tóquio se comprometeu a investir no âmbito de um acordo comercial.

Tóquio declarou esta sexta-feira, 14, que vai acelerar as negociações.

"Ainda existem divergências significativas", admitiu Akazawa, numa conferência de imprensa em Washington, segundo o jornal económico Nikkei, após uma reunião com o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick.

O Ministério da Indústria japonês indicou na rede social X que Akazawa e Lutnick realizaram "discussões aprofundadas" sobre a primeira ronda de investimento no âmbito do acordo comercial e concordaram em "acelerar ainda mais a coordenação".

Apesar das divergências, o ministério indicou que o objectivo é chegar a um acordo antes da viagem da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, aos Estados Unidos, marcada para 19 de março, para se reunir com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

O acordo comercial, alcançado em julho pelas duas potências após meses de negociações, compromete o país asiático com investimentos de 550 mil milhões de dólares (463 mil milhões de euros) nos Estados Unidos.

Em troca, os produtos japoneses exportados para o mercado norte-americano enfrentam tarifas de 15%, em vez dos 25% que Trump tinha ameaçado impor.

No entanto, ainda não é claro qual será a forma destes investimentos.

"Acabámos de concluir um enorme acordo comercial com o Japão", escreveu na altura Donald Trump na plataforma que detém, a Truth Social, afirmando que "nunca houve nada assim".

"Um acordo gigante, talvez o maior já alcançado", sublinhou.

O republicano garantiu que os Estados Unidos ficariam com 90% dos lucros dos investimentos japoneses no país.

"Este acordo trará milhares de empregos (...) e o Japão abrirá o seu país ao comércio, incluindo carros, camiões, arroz e outros produtos agrícolas", referiu Trump.

O Japão foi o quinto maior parceiro comercial dos Estados Unidos em 2024, representando 4,3% de todo o comércio e mais de 148 mil milhões de dólares (126 mil milhões de euros) em importações do país asiático, de acordo com dados governamentais.

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