

A dona do Pingo Doce tem sido fortemente penalizada no mercado de capitais, tal como o DN/Dinheiro Vivo escreveu na semana passada, com o atual contexto geopolítico e económico da Polónia a pesar no sentimento dos investidores.
A Jerónimo Martins, detentora em Portugal de marcas como Recheio e Jeronymo, além dos supermercados Pingo Doce, é ainda a dona da Biedronka, que se tem afirmado como uma das principais operadoras de retalho alimentar na Polónia.
Em declarações ao DN, fonte oficial da empresa refere esta terça-feira (14 de julho) que, apesar de a empresa não ter por hábito comentar movimentos do mercado – porque, tal como Pedro Soares dos Santos reafirma em quase todas as conferências de imprensa, não é algo que o CEO acredita que lhes compita –, a Jerónimo Martins “está focada em assegurar a boa gestão dos” seus “negócios e a solidez do seu desempenho operacional e financeiro”.
Questionada sobre se, tendo em conta estas perdas significativas ao longo dos últimos três meses – a retalhista desvalorizou quase 4 mil milhões em bolsa –, haverá alguma alteração na sua estratégia, a mesma fonte afasta esse cenário.
“No Grupo Jerónimo Martins mantemos uma visão de longo prazo e continuamos a executar a estratégia definida, com foco no reforço das nossas posições nos mercados onde operamos, na competitividade e qualidade da oferta ao consumidor, e na proteção da rentabilidade. Esta abordagem tem sido consistente ao longo do tempo e a solidez dos respetivos modelos de negócio tem permitido às nossas insígnias navegar contextos mais voláteis”.
Recorde-se que no primeiro trimestre de 2026 a Jerónimo Martins registou lucros de 119 milhões de euros, uma quebra de 6,8% em relação ao período homólogo de 2025, já com a Polónia a pressionar, e os consumidores a retraírem-se nas compras, segundo esclarecimentos da própria empresa na altura da apresentação dos resultados. No mesmo sentido, o aumento da pressão fiscal na Polónia condicionou a atividade.
Ainda assim, e “em linha com o que temos vindo a observar nos últimos anos, todas as nossas insígnias continuam a operar com enorme competitividade de preço, mantendo níveis de inflação interna abaixo dos registados, em média, nos respetivos mercados”, continua fonte oficial da empresa. “No primeiro trimestre, este posicionamento traduziu-se num desempenho operacional sólido, com crescimento das vendas Like-for-Like em volume em cada uma das principais insígnias - a Biedronka a crescer mais de 5%, o Pingo Doce a crescer acima de 4% e a Ara a aumentar o Like-for-Like em volumes em cerca de 5% -, acompanhado por uma ligeira melhoria da margem EBITDA”, recorda.
De referir que, durante a apresentação de resultados do trimestre passado, Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, não descartou a hipótese de avançar mesmo com a compra dos ativos do Carrefour na Polónia, uma operação que tem vindo a ser preparada há vários meses.
Variáveis e investidores
Diversos analistas cortaram no preço-alvo dos títulos da Jerónimo Martins, que encerraram ontem a sessão a deslizar 0,12%, para os 16,44 euros e cujas contas do segundo trimestre (e do primeiro semestre) de 2026 serão apresentadas no próximo dia 28 de julho.
“Sem prejuízo de o desempenho em bolsa poder refletir múltiplos fatores, incluindo as perspetivas macroeconómicas existentes para cada mercado, parece-nos claro que a evolução recente da inflação alimentar na Polónia tem sido um dos elementos que mais tem influenciado a leitura de investidores e analistas”, adianta ainda a Jerónimo Martins. “A desaceleração acentuada observada desde o final de 2025, e que levou a Biedronka – e outros operadores alimentares relevantes na Polónia - a operar em contexto de deflação desde então, tem gerado alguma preocupação quanto à evolução futura do mercado e ao eventual prolongamento desta pressão”, admite a empresa, que desde o início da guerra da Ucrânia tem sido consistentemente questionada sobre a sua presença naquela zona da Europa.
Fonte oficial da retalhista continua, tal como têm feito os seus responsáveis nos últimos anos, a afastar, ainda assim, qualquer tipo de pessimismo, salientando que “apesar deste contexto, a qualidade da execução da Biedronka continua a ser reconhecida. O desempenho do primeiro trimestre, num enquadramento particularmente exigente, confirmou a resiliência da capacidade da insígnia para reforçar a sua proposta de valor, ganhar relevância junto dos consumidores e proteger a rentabilidade. Esta leitura estende-se aos restantes países, onde o trabalho desenvolvido pelas nossas equipas tem sido igualmente reconhecido, apesar dos desafios específicos de cada mercado”.
“Naturalmente, entre os 26 analistas que acompanham Jerónimo Martins existem diferentes leituras quanto ao potencial de cada mercado. No entanto, e embora os investidores partilhem uma visibilidade reduzida relativamente a como o contexto atual se pode desenvolver no curto, parece-nos também existir um entendimento consensual quanto à qualidade da execução das várias insígnias e à capacidade do Grupo para responder, de forma disciplinada, aos desafios que se colocam em cada mercado. Em contextos de maior sensibilidade do preço da ação reforçamos a comunicação, não só com os analistas que nos seguem, mas principalmente com a nossa base acionista”, adianta a mesma fonte.
A Jerónimo Martins integra, atualmente, a lista das 40 maiores empresas de retalho a nível mundial, e está entre as 20 maiores da Europa. Para além da operação em Portugal e na Polónia, detém ainda a cadeia Ara, na Colômbia.