

Foi a ausência de comentário que fez adivinhar a resposta. Questionado sobre se está em conversações com os franceses da Carrefour para a compra dos ativos na Polónia, o responsável da operação naquele país, Luís Araújo, disse apenas com um sorriso: "Não vamos comentar".
Antes disso, tinha instado os jornalistas a remeter a pergunta aos responsáveis da retalhista francesa. A história não é nova e desde o ano passado tomou ainda mais forma: o Carrefour está a ponderar alienar os ativos que tem na Polónia - cerca de 800 lojas e 40 centros comerciais - e contratou, no final do ano passado, a JP Morgan para assessorar a operação.
A potencial venda surge no âmbito de uma reorganização global do grupo Carrefour, que pretende redirecionar o foco para mercados-chave como França, Espanha, Bélgica e Brasil, depois de alienar ativos em outras geografias como a Roménia (onde vendeu toda a operação no início deste ano por mais de 800 milhões de euros) e Itália.
O Ministério da Agricultura polaco chegou a considerar a aquisição dos ativos do Carrefour através da empresa estatal Krajowa Grupa Spozywcza (KGS), com o objetivo de fortalecer a soberania alimentar e entrar no retalho em larga escala.
A Biedronka, referiu Luís Araújo, "está a olhar para todos os movimentos do mercado com atenção".
"Há localizações, no país, muito interessantes. Acho que a Biedronka pode ser a solução para muitos dos ativos do Carrefour, e olhamos sempre para todos os movimentos de mercado", repetiu.
Não existem, para já, estimativas de quanto pode valer a operação do Carrefour na Polónia.
A Jerónimo Martins tem um plano estratégico definido até 2030 e não exclui novas aquisições - até para continuar a crescer em vendas, como é o seu objetivo - mas os responsáveis são claros, também, em relação aos valores que estão dispostos a alocar: poderão sair do plano de investimento, que estima de cerca de mil milhões de euros para este ano - "depende do valor da aquisição", sorriu Pedro Soares dos Santos - ou poderão acrescer a este montante previsto.
Recorde-se que a Polónia é o mercado que tem ficado com mais de 50% do valor total de investimento que a JMT tem feito, anualmente, e é também o maior contribuidor para os resultados do grupo. A retalhista entrou naquele país há 30 anos e, em 2025, entrou com a mesma marca, a Biedronka, na Eslováquia. É também naquela região que está a construir um inovador centro logístico, que deverá servir de referência para as outras companhias do grupo.
A revelação do interesse nos ativos do Carrefour foi feita durante a conferência de imprensa que se seguiu à apresentação de resultados anuais da dona do Pingo Doce. A Jerónimo Martins reportou um crescimento do seu resultado líquido e das suas vendas no ano passado, e tem um ambicioso plano de abertura de lojas para 2026.