Juros a subir? Perspetivas da economia europeia são "claramente definidas" pela guerra, diz BCE

O aumento da incerteza é evidente e o cenário de aceleração da inflação torna-se mais provável. Levanta-se a possibilidade de nova subida dos juros do BCE, que promete estar atento.
Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.
Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.Foto: Maria Rita Quitadamo / BCE
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O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou hoje que as perspetivas para a economia europeia agora estão "claramente definidas" pelo conflito no Médio Oriente, que "aumentou o nível de incerteza", principalmente sobre a evolução da inflação.

Perante dessa situação, Guindos advertiu que o BCE (Banco Central Europeu) tem que trabalhar em diferentes cenários para a economia europeia, dependendo da duração do conflito desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão no último sábado e se este se tornar "mais global".

"O cenário base é que será um conflito curto e o outro é que seja mais longo, mais prolongado do que esperávamos", explicou Guindos num evento organizado pelo Fórum de Finanças Internacionais, em Bruxelas.

Nesse sentido, Guindos precisou que o BCE prestará atenção ao definir a sua política monetária à evolução dos preços e à possível mudança nas expectativas de inflação, que associou em particular à duração do conflito.

"Se for mais duradouro, então há um risco de que as expectativas de inflação mudem", avisou.

No entanto, o vice-presidente do BCE sublinhou que, "até agora", a reação dos mercados ao conflito tem sido "ordenada", com uma valorização do dólar e um ligeiro aumento da taxa de juro dos títulos soberanos.

Lembrou que, antes do conflito, a economia europeia tinha-se mostrado "mais resiliente do que o esperado", com mínimos históricos de desemprego, uma evolução positiva da inflação e um balanço de riscos "equilibrado", pelo que defendeu que, nesse contexto, o nível de taxas de juro adotado pelo BCE "é o correto".

Quanto à estabilidade financeira no continente, Guindos indicou que as principais vulnerabilidades procedem das "muito altas" avaliações dos ativos e da visão "muito otimista" por parte dos mercados da economia global, que "talvez não seja real".

"Talvez o que ocorreu durante o fim de semana tenha sido uma espécie de sinal de alarme sobre o risco potencial que estamos a analisar", disse, referindo-se aos ataques contra o Irão.

Outras vulnerabilidades procedem das entidades financeiras não bancárias e dos seus vínculos com o sistema bancário tradicional e da situação orçamental dos países europeus num contexto em que devem aumentar os seus gastos, em particular em defesa, e ao mesmo tempo garantir a sustentabilidade orçamental.

"Vai ser a quadratura do círculo", estimou.

Neste sentido, Guindos defendeu, a título pessoal, a emissão de dívida conjunta por parte da União Europeia para financiar os gastos em defesa, de maneira semelhante ao que foi feito com o fundo de recuperação pós-pandemia.

"Dada a prioridade que atribuímos ao gasto em defesa e as limitações orçamentais, acho que isso deveria ser uma alternativa real", propôs.

Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.
BCE alerta para risco de aumento substancial da inflação com conflito no Médio Oriente

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