Juros da casa devem subir já em abril e antes de o BCE agravar juros

Guerra no Médio Oriente continua a incendiar preços da energia e deve enraizar-se na inflação. BCE deixa avisos: tem de começar a subir taxas de juro, o que pode acontecer já no final de abril.
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: CHRISTOPHER NEUNDORF / EPA
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A taxa de juro Euribor média a seis meses, a mais usada como indexante nos empréstimos para compra de casa em Portugal, foi de 2,144% em fevereiro, mas atualmente, volvidos que estão 24 dias de guerra no Irão, no Golfo Pérsico e de choque petrolífero, a média dessa mesma taxa de juro já vai em 2,27%, devendo terminar o mês de março nos 2,36%, segundo vários analistas consultados pelo DN, que assumem que o agravamento do custo de dinheiro vai continuar nos próximos cinco dias úteis que faltam até abril.

Será esta a taxa Euribor média mais elevada que vai ser aplicada pelos bancos comerciais (a que acrescerão margens de rendibilidade ou spreads mais comissões e outros encargos) a todos os contratos que tenham de ser renovados no início de abril.

Ou seja, estes juros de mercado, definidos por um conjunto de grandes bancos europeus (de acordo com regras de oferta e procura nos mercados monetários), já estão a antecipar em quase um mês algo que o Banco Central Europeu (BCE) só deve fazer no último dia de abril (data da próxima reunião de taxas de juro) ou nos meses seguintes: subir a taxa de juro principal da Zona Euro (de depósito) dos atuais 2% para 2,25%, assim o dizem as expectativas dos mercados e da maioria dos analistas.

O BCE teve uma reunião no passado dia 19 de março, mas decidiu manter os juros em 2%, um mínimo desde final de 2022 (o ano da outra guerra, a da Ucrânia), pelo nono mês consecutivo.

Impacto da Euribor no bolso das famílias começa em abril

Uma subida da Euribor a seis meses, como a que se perfila já no início de março (cerca de 0,22 pontos percentuais), terá um efeito assinalável nos custos da dívida.

No caso de um empréstimo à habitação no valor de 150 mil euros, com uma duração de 30 anos, podemos estar a falar de um agravamento de 28 euros na prestação mensal.

Nuno Rico, economista, refere no site da DECO Proteste, a revista especializada da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), que se a média da Euribor a seis meses atingir 2,5% em março, “o agravamento poderá aproximar-se dos 30 euros por mês” e “num cenário em que a Euribor volte a chegar a 3%, a prestação poderá aumentar mais de 70 euros mensais”.

“Se olharmos para o conjunto da carteira ativa de crédito à habitação com taxa variável em Portugal, estimamos que a evolução das taxas de juro ocorrida até agora possa representar um impacto de cerca de 24 milhões de euros nos orçamentos das famílias" ao longo dos próximos seis meses, diz o economista, na mesma análise.

Esta terça-feira, todas as principais maturidades das taxas Euribor (três, seis e 12 meses) “subiram em relação a segunda-feira e nesses dois prazos mais longos para máximos desde janeiro de 2025 e setembro de 2024, respetivamente”, segundo a Lusa.

Com o agravamento registado esta terça, a taxa a três meses chegou quase aos 2,18%, a Euribor a seis meses avançou para 2,59% (antes de a nova guerra que começou contra o Irão, esta taxa Euribor estava em 2,14%.

Segundo a Lusa, a taxa Euribor a seis meses é, desde janeiro de 2024, a referência de juros mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável.

Segundo o Banco de Portugal, em janeiro passado, a taxa de juro Euribor a seis meses era usada em quase 39% do total de empréstimos (stock) para compra de habitação própria permanente a taxa variável.

O preço do petróleo continua sem dar tréguas, apesar de na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ter anunciado que haveria conversações com o Irão para acabar com a guerra e que por isso ia dar cinco dias de tréguas militar ao regime de Teerão.

Petróleo continua perto dos 100 dólares

Promessas que, aparentemente, caíram em saco roto pois esta terça o barril de petróleo Brent voltou a subir para perto de 100 dólares, reavivando as crescentes certezas de que o BCE vai mesmo ter de subir taxas de juro para tentar de travar a arrefecer os preços e a atividade, sobretudo se a inflação galopante dos combustíveis e dos fertilizantes se começar a enraizar na economia europeia.

“Após a reunião [de política monetária, de taxas de juro, do BCE], os mercados financeiros consolidaram a mudança nas expectativas das últimas semanas e descontam agora dois aumentos de juros em 2026 (o primeiro entre abril e junho, o segundo entre julho e setembro)”, disseram os economistas do grupo BPI após o encontro que decorreu em Frankfurt, sob a batuta da presidente Christine Lagarde.

Em cima disto, já se aventa “um terceiro aumento, com a taxa de depósito do BCE a chegar aos 2,75% em dezembro, com 75% de probabilidade”, indicou o departamento de estudos do BPI Research.

Christine Lagarde, presidente do BCE.
BCE prevê que guerra arrase cenário macroeconómico do OE 2026
Christine Lagarde, presidente do BCE.
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