Lagarde aufere mais de 50% acima do salário divulgado pelo BCE

Presidente do Banco Central Europeu recebeu em 2024 uma remuneração total estimada em 726 mil euros, cerca de 56% acima do salário base de 466 mil euros que consta do relatório anual da instituição.
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: RONALD WITTEK / EPA
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Uma análise do Financial Times (FT) publicada esta sexta-feira, 2 de janeiro, revela que Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), recebeu em 2024 uma remuneração total estimada em 726 mil euros, cerca de 56% acima do salário base de 466 mil euros que consta do relatório anual da instituição.

O cálculo do FT integra, além do vencimento base, uma remuneração estimada de 125 mil euros relativa ao cargo de Lagarde como um dos 18 membros do conselho de administração do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e benefícios complementares avaliados em aproximadamente 135 mil euros, entre ajudas de habitação e outras prestações. Esses componentes não são divulgados de forma individual no relatório anual do BCE, que igualmente não menciona o pagamento pelo BIS.

A reportagem sublinha ainda que, com base nessas estimativas, a líder do BCE aufere quase quatro vezes mais do que o presidente da Reserva Federal norte‑americana, Jerome Powell, cujo salário está fixado por lei em 203 mil dólares (cerca de 172.720 euros).

O FT explicou que os seus cálculos se apoiaram em relatórios anuais do BCE e do BIS e num documento técnico que estabelece os termos e condições da remuneração dos altos responsáveis do BCE, não incluindo, porém, contribuições para pensão nem custos com plano de saúde por falta de dados disponíveis.

Questionado sobre a análise, o BCE recusou comentar pormenores, afirmando em comunicado que o montante do salário foi fixado por uma comissão de remunerações e pelo Conselho da entidade "no início do BCE" e só tem sofrido ajustamentos salariais anuais aplicáveis a todos os funcionários.

A divulgação limitada motivou críticas políticas, como por exemplo a do eurodeputado Fabio De Masi que defendeu que o BCE deveria adotar regras de transparência idênticas às das empresas cotadas, para fornecer "uma imagem completa e fiável da remuneração" dos seus responsáveis, e alertou para a necessidade de maior responsabilização.

Recorde‑se que estudos, como um relatório do Fundo Monetário Internacional de 2004 citado pela Bloomberg, recomendam salários competitivos e proteção contra cortes durante o mandato para evitar influências indevidas sobre dirigentes de bancos centrais.

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