Lucro consolidado do Banco Montepio recua 31% para 23,6 milhões de euros até março

Valor do lucro consolidado no primeiro trimestre, face ao período homólogo, reflete “a normalização do custo do risco”, indica a instituição bancária.
Lucro consolidado do Banco Montepio recua 31% para 23,6 milhões de euros até março
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
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O lucro consolidado do Banco Montepio caiu 31%, para 23,6 milhões de euros, no primeiro trimestre face ao período homólogo, refletindo “a normalização do custo do risco”, anunciou esta segunda-feira, 4 de maio, a instituição bancária em comunicado.

“Este valor compara com 34,2 milhões de euros no período homólogo de 2025, refletindo a normalização do custo do risco após uma reversão extraordinária de imparidades de crédito registada no primeiro trimestre de 2025, no montante de 12,3 milhões de euros, mantendo-se em 2026 um nível de imparidades historicamente baixo”, detalha o banco.

Excluindo este impacto, o resultado líquido dos primeiros três meses de 2026 teria aumentado 11%, “refletindo o reforço da performance operacional e recorrente do Banco Montepio”, acrescenta.

Destacando a “aceleração da atividade comercial, tanto a nível do crédito como dos depósitos”, o Montepio considera que o desempenho até março “confirma a execução bem-sucedida da estratégia em curso, após um ano de 2025 marcado pela melhor performance de sempre no crescimento do negócio e pela consolidação da instituição no patamar de investimento (‘investment grade’) pelas agências internacionais de notação financeira Moody’s, Fitch e DBRS”.

Assim, no primeiro trimestre, o produto bancário aumentou 4,4% em termos homólogos, para 109,1 milhões de euros, “refletindo a evolução positiva da atividade comercial”, com a margem financeira a atingir 84,3 milhões de euros.

De acordo com o Montepio, este valor de produto bancário inclui ainda as contribuições para o setor bancário, de nove milhões de euros, contabilizadas nos “outros resultados de exploração negativos”.

Depósitos de clientes atingiram um novo máximo histórico

As comissões líquidas ascenderam a 34 milhões (+3,4%), suportadas pelas maiores “comissões de mediação de seguros, de mercado e dos serviços de pagamento, decorrentes da expansão da atividade comercial, uma vez que não existiram alterações materiais no preçário”.

No período, os depósitos de clientes atingiram um novo máximo histórico de 16.300 milhões de euros, um aumento de 6,8% face aos 1.033 milhões do primeiro trimestre de 2025, com o segmento de particulares a representar 68% do total.

“A evolução homóloga dos depósitos foi fortemente impulsionada por ambos os segmentos, tendo os particulares subido 551 milhões de euros (+5,2%) e o segmento de empresas incrementado 482 milhões de euros (+10,2%), refletindo uma dinâmica comercial relevante”, detalha o Banco Montepio.

Quanto ao crédito a clientes (bruto), subiu 8,5% (1.048 milhões de euros) para 13.400 milhões, com o crédito ‘performing’ a crescer 1.092 milhões (+9,1%) em termos homólogos.

Considerando apenas o primeiro trimestre de 2026, o aumento do crédito a clientes (bruto) e dos depósitos foi de 2,7% e 1,4%, respetivamente. Quanto ao crédito a clientes ‘performing’, aumentou 2,7% (351 milhões de euros) no primeiro trimestre, para 13.200 milhões de euros.

No que se refere aos indicadores que avaliam a qualidade dos ativos, o Montepio reporta um custo do risco de crédito nulo, mantendo o nível verificado em 2025, e uma redução homóloga das exposições não produtivas (NPE) em 44 milhões de euros (-17,6%), colocando o rácio NPE (crédito malparado) em 1,6%, contra 2,1% no final de março de 2025, abaixo da média do Sistema Bancário Português (2,1% no final de 2025).

O rácio NPE líquido de imparidades totais para risco de crédito fixou-se em 0,2%, comparando com 0,4% no final do mês homólogo de 2025, tendo-se a cobertura dos NPE por imparidades específicas situado em 50,9%, superior à média de 41,4% da União Europeia no final de 2025.

Quanto à cobertura por imparidades totais para risco de crédito, ascendeu a 85,9% (80,1% no final de março de 2025) e a 109,5% considerando colaterais e garantias financeiras associadas (120,6% no final do mês homólogo de 2025).

Ainda reportada pelo Banco Montepio é uma redução homóloga da exposição ao risco imobiliário em 58 milhões de euros (-33%), para um total de 118 milhões de euros, representando 0,6% do ativo líquido (0,9% no final de março de 2025) e 7,2% dos fundos próprios (11,3% no final de março de 2025).

A eficiência, medida pelo rácio ‘cost-to-income’ recorrente, melhorou para 61,0% no primeiro trimestre deste ano, face aos 62,3% do final de 2025.

O valor líquido do agregado imparidades e provisões atingiu 0,9 milhões de euros nos primeiros três meses de 2026, evidenciando uma maior dotação líquida em 11,3 milhões face ao período homólogo.

No período, o rácio ‘Common Equity Tier 1’ (CET1) de 16,0% (-0,2 pontos percentuais em termos homólogos), o rácio ‘Capital Total’ foi de 19,0% (-0,4 pontos percentuais) e o rácio MREL (montante mínimo de capital próprio e passivos elegíveis) em percentagem do total dos RWA (ativos ponderados pelo risco) situou-se nos 26,0% (+1,0 pontos percentuais).

Já o rácio de cobertura de liquidez (LCR) foi de 174,2%, enquanto o rácio de Financiamento Estável (NSFR) se fixou em 141,1% e o ‘buffer’ de liquidez ascendeu a 5.800 milhões de euros (+1,4% em termos homólogos), “refletindo o reforço da posição de liquidez”.

No primeiro trimestre deste ano, os custos operacionais do Montepio totalizaram 72,4 milhões de euros, acima dos 70,8 milhões do trimestre homólogo, “refletindo os acréscimos dos custos com pessoal e dos gastos gerais administrativos associados à evolução da taxa de inflação”.

Os custos com pessoal subiram 2,4% para 40,8 milhões, “em resultado de ajustamentos na estrutura de custos induzidos pela inflação e pela política interna de valorização e retenção de talento”.

Já os gastos gerais administrativos fixaram-se em 18,9 milhões de euros, mais 3,5%, traduzindo o impacto da inflação na contratação e na renovação de contratos relacionados com a prestação de serviços, nomeadamente no contexto do processo de transformação digital do Banco Montepio e dos desenvolvimentos dos sistemas de informação.

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