O BCP teve lucros de 305,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 25,6% do que nos primeiros três meses de 2025, divulgou esta quarta-feira, 6 de maio, o banco em conferência de imprensa.
A margem financeira (diferença entre juros cobrados nos créditos e juros pagos nos depósitos) subiu 2,4% para 738,4 milhões de euros e as comissões líquidas aumentaram 8,2% para 218,0 milhões de euros.
Ainda a ajudar aos resultados, nos outros proveitos (inclui rendimentos como de instrumentos de capital e operações financeiras) o banco registou ganhos de 26,7 milhões de euros, o que contrasta com os prejuízos de 13,3 milhões de euros de um ano antes.
Já a constituição de imparidades e provisões (para eventuais perdas) reduziu-se 22,6%, tendo sido de 148,1 milhões de euros no primeiro trimestre.
Do lado dos gastos, os custos operacionais subiram 4,5% para 354,9 milhões de euros, com os custos com pessoal a avançarem 4,4% para 196,4 milhões de euros.
Olhando para o balanço, o crédito total aumentou 7,2% para 63.400 milhões de euros, sobretudo devido à atividade do grupo bancário em Portugal.
Em Portugal, o crédito (bruto) subiu 9,6% para 43.923 milhões de euros. Dentro deste, o mais importante foi o crédito hipotecário (incluindo à habitação) que subiu 11,4% para 22.296 milhões de euros em fim de março, impulsionado pelos incentivos fiscais à compra de casa por jovens.
Os depósitos totais subiram 6,6% para 90.731 milhões de euros.
O grupo BCP está presente em vários países. Quanto às principais geografias, Portugal contribuiu com 265,4 milhões de euros, mais 21,2%, a Polónia com 71,2 milhões de euros (mais 67,8%) e Moçambique com 5,5 milhões de euros (mais 68,2%).
Miguel Maya, presidente do BCP, disse em conferência de imprensa que o banco não tem lucros excessivos ou inesperados pois resultam do capital investido e do trabalho que vem sendo feito.
"No BCP não há lucros excessivos nem inesperados. Nem excessivos para o enorme capital investido pelos acionistas, nem inesperados pois todos estes lucros foram resultado dos trabalhadores do banco e da estratégia", disse.
Sobre um possível imposto sobre a banca (após o adicional de solidariedade ter sido anulado pelo Tribunal Constitucional e ter sido devolvido aos bancos pelo Estado) - que o Governo disse há meses que está a estudar mas sem novidades entretanto -, o presidente executivo do BCP afirmou não conhecer o que se passará nessa matéria mas advertiu que é importante que não venha distorcer a concorrência.
Quanto à Fosun poder deixar de ser acionista do BCP, respondeu Miguel Maya que vem ouvindo recorrentemente essa possibilidade e que "até hoje os acionistas estão cá", acrescentando que ainda hoje ouviu palavras de apreço desses acionistas à evolução do banco.
"Sobre estratégias acionistas respondem os acionistas. Se estou preocpuado com o tema? Não", declarou.
Miguel Maya falou ainda do contexto "desafiante" da economia (decorrente da situação internacional), mas disse acreditar que o BCP irá cumprir o plano estratégico.
"Estamos confiantes na capacidade de gerar negócios e resultados", disse.
O banco BCP reduziu 186 trabalhadores em Portugal entre março de 2025 e igual mês deste ano, segundo as contas do primeiro trimestre divulgadas esta quarta-feira.
De acordo com a apresentação de resultados, no final de março o BCP tinha 6.043 trabalhadores em Portugal, menos 186 face aos 6.229 de fim de março de 2025.
Apesar da redução no quadro de pessoal em termos líquidos (nos últimos anos, o BCP tem acordado saídas por rescisões e reformas antecipadas), o banco refere que tem havido a contratação de novos empregados.
Quanto à rede comercial, o BCP tinha em fim de março 388 agências, menos nove do que um ano antes.