Mais de metade dos trabalhadores dos ‘contact centers’ com contratos sem termo em 2025

No ano passado, 55,8% dos trabalhadores dos ‘contact centers’ tinham contrato sem termo, "o valor mais elevado desde 2022", segundo um estudo promovido pela Associação Portuguesa de Contact Centers.
Mais de metade dos trabalhadores dos ‘contact centers’ com contratos sem termo em 2025
Miguel Pereira / Global Imagens
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Mais de metade dos trabalhadores dos ‘contact centers’ tinham, em 2025, um contrato de trabalho sem termo, recebiam, em média, acima dos 1.000 euros brutos e cerca de um terço tinham o ensino superior, conclui um estudo divulgado esta terça-feira, 26.

No ano passado, 55,8% dos trabalhadores dos ‘contact centers’ tinham um contrato sem termo, "o valor mais elevado desde 2022", enquanto 38,9% tinham contrato a termo, segundo um estudo promovido pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC) e que será hoje apresentado na Conferência Internacional APCC 2026.

Dos cerca de 40% trabalhadores com contratos a termo, 26,9% tinham contrato a termo incerto e 12% a termo certo, aponta.

Segundo este estudo, que faz um retrato deste setor, que em Portugal emprega mais de 115 mil pessoas, os contratos sem termo têm vindo a ganhar terreno (em 2023 eram 50,7% e em 2024 54,6%), enquanto os contratos a termo têm vindo a recuar (em 2023 eram 45,2% e no ano seguinte 40,8%).

Já os "contratos de prestação de serviços e trabalho temporário representam cerca de 5%, mantendo-se em linha com os anos anteriores", acrescenta o estudo.

As remunerações têm vindo a crescer, com o salário bruto médio mensal dos operadores a ultrapassar "pela primeira vez os 1.000 euros" em 2025, fixando-se nos 1.021 euros, um aumento face aos 973 euros em 2024 e aos 932 euros registados em 2023.

Por setor de atividade, é nos dos transportes e viagens que o ordenado bruto médio mensal dos operadores é mais elevado, tendo-se fixado nos 1.063 euros no ano passado, seguido pela assistência em viagem (1.030 euros) e pelos bancos e outras instituições financeiras (1.028 euros).

No polo oposto está o comércio (retalho e distribuição) e o turismo, cuja remuneração média mensal bruta dos operadores era 931 euros e 947 euros, respetivamente.

A situação é semelhante no caso dos supervisores, cujo salário médio bruto era de 1.344 euros em 2025, o que compara com os 1.312 euros no ano anterior e os 1.230 em 2023.

"Os setores com RBM mais elevadas são a assistência em viagem (1.501euros) e os transportes e viagens (1.378 euros)", enquanto "os valores médios mais baixos encontram-se no turismo (1.245 euros) e no comércio (1.190 euros)".

Por outro lado, os técnicos de qualidade e formação tinham uma remuneração média mensal bruta "ligeiramente abaixo do valor dos supervisores", fixando-se nos 1.271 euros em 2025, sendo que por setor de atividade a indústria ocupa o lugar cimeiro (1.407 euros) e o valor mais baixo pertence ao turismo (1.045 euros).

Já no caso dos coordenadores, cujo indicador é, a par dos técnicos de qualidade e formação, incluindo pela primeira vez neste estudo, o ordenado médio mensal bruto era de 1.727 euros, com o valor mais elevado a ser registado no setor dos transportes e viagens (1.747 euros) e os mais baixos no comércio (retalho e distribuição) (1.537 euros) e na administração pública e setor social (1.526 euros).

O estudo revela ainda que "os incentivos têm agora um peso menor", tendo passado de 20% para 18% no caso dos operadores e de 21% para 19% da remuneração global nos supervisores.

As habilitações dos trabalhadores têm vido a aumentar: quase metade (49,8%) tinham, no ano passado, o ensino secundário completo e cerca de um terço (30,6%) completaram o ensino superior.

"Em crescimento constante nos últimos anos está a frequência do ensino superior, que tem vindo a ganhar terreno em relação a quem detém o ensino secundário (7,5% em 2023, 9,9% em 2024, 16,3% agora)", assinala o estudo, acrescentando que "os únicos setores com uma diferença mais significativa em relação à média são a indústria, com um número superior de frequência do ensino secundário, e a assistência em viagem, com apenas 16% com ensino superior completo".

As mulheres continuam a estar em maioria no setor, incluindo em cargos de chefia, sendo que os 'contact centers' "continuam presentes em todos os distritos e regiões autónomas", ainda que com uma concentração significativa em Lisboa "que representa aproximadamente 70% das respostas e 60% dos colaboradores".

Na edição de 2026 do Estudo de Caracterização e Benchmarking da Atividade dos Contact Centers foi recolhida informação junto de 59.409 profissionais, distribuídos por 1.717 operações, de 96 empresas. Sendo que sendo este um estudo de participação voluntária, a taxa de resposta às diferentes questões não é sempre de 100%.

Mais de metade dos trabalhadores dos ‘contact centers’ com contratos sem termo em 2025
Remunerações reais dos trabalhadores sobem 3,2% em 2025
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