

A remuneração bruta real dos trabalhadores em Portugal cresceu em média 3,2% em 2025 face a 2024, segundo dados divulgados esta sexta-feira, 13, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Esta estimativa, referente à remuneração bruta total mensal média por posto de trabalho, já tem em conta o efeito da inflação.
Se não for considerada a variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC), a remuneração bruta total mensal média por trabalhador aumentou, em termos nominais, 5,6% para 1.694 euros.
Em 2024, a remuneração total tinha aumentado a um ritmo superior: 6,5% em termos nominais e 3,9% em termos reais.
Segundo o INE, em 2025, a remuneração bruta regular mensal (menos sazonal porque não inclui subsídios de férias e Natal) foi de 1.365 euros, tendo registado um aumento nominal e real de 5,4% e 3,0%, respetivamente (em 2024, tinha aumentado 6,5% em termos nominais e 4,0% em termos reais).
Já a remuneração bruta base mensal situou-se em 1.277 euros e registou um acréscimo nominal de 5,2% e real de 2,8% (em 2024 tinha crescido 6,1% e 3,6%, respetivamente).
Em 2025, o IPC aumentou 2,3%, após ter subido 2,4% no ano anterior.
No ano passado, a remuneração total variou entre 1.086 euros nas atividades de “agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca” e 3.476 euros nas de “eletricidade gás, vapor, água quente e fria e ar frio”.
Face a 2024, o INE assinala que o maior aumento relativo foi em “agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca” (11,2%) e na “administração pública e defesa; segurança social obrigatória” (6,9%) e o menor nas atividades de “eletricidade gás, vapor, água quente e fria e ar frio” (1,5%).
Em termos reais, a remuneração total subiu em todas as secções de atividade exceto nas “atividades dos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais” e “eletricidade gás, vapor, água quente e fria e ar frio”, em que diminuiu 0,7% e 0,8%, respetivamente.
Por dimensão de empresa, a remuneração total oscilou entre 1.144 euros nas empresas com entre um e quatro trabalhadores e 2.030 euros nas empresas com 500 ou mais trabalhadores.
O maior acréscimo anual aconteceu no escalão das empresas de 50 a 99 trabalhadores (6,2%) e nas empresas de um a nove trabalhadores (6,1%), enquanto o menor (4,8%) se verificou nas empresas de 250 a 499 trabalhadores, sendo que a remuneração total real subiu em todos os grupos de dimensão de empresa.
Numa análise por setor institucional, a remuneração total nas Administrações Públicas (AP) em termos reais aumentou 3,9% entre 2024 e 2025 (tinha subido 5,4% entre 2023 e 2024), superando o acréscimo de 3,0% no setor privado (que em 2024 tinha sido de 3,7%).
Já analisando a remuneração por intensidade tecnológica e intensidade do conhecimento, em 2025, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador na “indústria transformadora” variou entre 1.394 euros nas empresas de “baixa tecnologia industrial” e 2.321 euros nas de “alta tecnologia industrial”, atingindo um valor médio de 1.593 euros.
A remuneração total nestas empresas aumentou, em relação a 2024, respetivamente 6,1%, 5,6% e 5,5%.
Nos “serviços intensivos em conhecimento” a remuneração total foi, em média, de 2.080 euros, variando entre 1.732 euros nas empresas de “serviços de mercado com forte intensidade de conhecimento” e 2.946 euros nas de “serviços financeiros com forte intensidade de conhecimento”. Entre 2024 e 2025, estas remunerações aumentaram, respetivamente, 5,5%, 4,5% e 3,4%.
Já a remuneração bruta total mensal média nas empresas de “serviços pouco intensivos em conhecimento” situou-se em 1.422 euros, tendo subido 5,4% em relação a 2024.
Estes resultados abrangem 4,9 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações, mais 1,9% do que no mesmo período de 2024.
No quarto trimestre de 2025, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador aumentou 5,1%, para 1.877 euros, em termos homólogos, enquanto a componente regular e a componente base daquela remuneração aumentaram 5,1% e 5,4%, situando-se em 1.370 e 1.282 euros.
Em termos reais, a remuneração bruta total mensal média e a sua componente regular aumentaram ambas 2,8% e a componente base subiu 3,0%.
No último trimestre de 2025, a remuneração bruta total mensal média aumentou em quase todas as dimensões de análise (atividade económica, dimensão de empresa, setor institucional, intensidade tecnológica e intensidade de conhecimento).
Os maiores aumentos ocorreram em “agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca”, nas empresas de cinco a nove trabalhadores (6,1%), no setor privado (5,3%) e nas empresas de “baixa tecnologia industrial” (5,6%).