Mau tempo: Leiria recebeu 17,5 milhões de euros das seguradoras e do Governo, mas já gastou 30 milhões

Em quatro meses, Leiria já se comprometeu a gastar 30 milhões de euros para recuperar da destruição causada pela depressão Kristin. “É um valor totalmente impensável", assume o presidente da Câmara.
Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo
Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo Foto: Reinaldo Rodrigues
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O Município de Leiria recebeu um total de 17,5 milhões de euros (ME) das seguradoras e do Governo, mas os gastos para reparar os danos do mau tempo já somam 30 milhões de euros, disse esta quarta-feira, 27 de maio, o seu presidente, Gonçalo Lopes.

“Recebemos 11 milhões de euros por parte do Governo, através do fundo de emergência, e recebemos da companhia de seguros 6,5 milhões de euros, que corresponde a uma percentagem do valor gasto atualmente próxima dos 50%”, afirmou Gonçalo Lopes à agência Lusa.

Numa entrevista quando se completam quatro meses da depressão Kristin, que atingiu gravemente o concelho em 28 de janeiro, Gonçalo Lopes adiantou que o município tem “comprometido até aos dias de hoje gastos na ordem dos 30 milhões de euros”.

“É um valor totalmente impensável gastar em quatro meses por causa de uma tempestade. São 30 milhões de euros que nunca pensaríamos gastá-los neste período. E depois, claramente, há um défice entre o que já gastámos e aquilo que já recebemos, quer das seguradoras, quer do Estado”, explicou, notando que os 11 ME correspondem a um adiantamento.

Quanto aos 30 milhões de euros, o autarca referiu que foram gastos em “operações de limpeza, desobstrução de vias, alugueres de equipamento, obras no parque escolar, equipamentos culturais e municipais, sinalética, abrigos de passageiros, semaforização, limpeza de resíduos urbanos”, incluindo retirada e encaminhamento de coberturas com amianto. Neste caso, o montante é na ordem de um milhão de euros.

“Grande parte tem a ver com operações de limpeza e desimpedimento de vias e depois obras. E dentro das obras há uma rubrica de alugueres, que é o caso, por exemplo, das contentorizações, geradores e outras despesas”, explicou Gonçalo Lopes, adiantando que continua a limpeza florestal, que “também tem despesa”.

Neste âmbito, referiu que o concelho tem 788 quilómetros de caminhos florestais, estando limpos 581 quilómetros, declarou, prevendo que, “até ao final da próxima semana, este processo esteja concluído”.

Os prejuízos no património municipal foram estimados em 193 milhões de euros.

Segundo Gonçalo Lopes, as contas finais com as seguradoras não estão fechadas e vão demorar.

“Agora é preciso cruzar o valor dos peritos das seguradoras com os da nossa peritagem, daí que nos principais equipamentos recorremos também a uma empresa externa para poder fazer peritagem e negociação com a companhia de seguros, uma vez que é uma área extremamente técnica, onde a Câmara não tem meios técnicos especializados para o efeito, que é o caso dos grandes equipamentos e grandes edifícios que foram muito destruídos”, declarou.

Esse apoio vai ser dado por “uma empresa que trabalhou nos danos e sinistros de Valência [região espanhola atingida pela depressão DANA em outubro de 2024], e tem experiência internacional neste tipo de processos”, declarou.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis dos quais no concelho de Leiria, entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

O Governo recebeu, entretanto, cerca de 35.900 candidaturas para apoios à reconstrução de habitações e a Estrutura de Missão designada para a recuperação estimou entre 35 mil e 40 mil o número de empresas com danos nas zonas mais atingidas.

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