Médio Oriente: Agência de Energia faz recomendações para reduzir procura de petróleo

Relatório defende ser essencial trabalhar do lado da procura, já que os preços do crude já ultrapassaram os 100 dólares/barril, apesar do esforço de libertação das reservas por parte de muitos países
Médio Oriente: Agência de Energia faz recomendações para reduzir procura de petróleo
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A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou esta sexta-feira, 20, mais três dias de teletrabalho, menos 40% de voos comerciais e a gratuitidade dos transportes públicos para reduzir a procura de petróleo face à guerra no Médio Oriente.

Num relatório, aquela instituição apresentou 10 medidas “de urgência”, sobretudo para combater o recurso a viaturas privadas, as quais podem poupar até cerca de seis milhões de barris por dia, compensando em parte a escassez global de crude.

“O conflito no Médio Oriente provocou a maior interrupção de fornecimento da história do mercado internacional de petróleo devido à paragem quase total do trânsito naval pelo estreito de Ormuz”, lê-se.

Segundo a AIE, cerca de 15 milhões de barris de crude e outros cinco milhões de produtos petrolíferos passavam diariamente naquela via marítima, cerca de 20% do consumo mundial daquelas matérias, mas as quantidades ficaram reduzidas a "conta-gotas".

O texto defende ser essencial trabalhar do lado da procura, já que os preços do crude já ultrapassaram a barreira dos 100 dólares/barril, apesar do esforço de libertação das reservas por parte de muitos países (426 mil barris).

"Há uma crescente preocupação com o impacto da alta de preços sobre as famílias, as empresas e a economia em geral", alertou a AIE.

Entre as restantes medidas propostas está a redução do limite de velocidade nas estradas em, pelo menos, 10 km/h, para baixar o consumo de combustível "entre 5% e 10% por veículo".

A partilha de veículos e a restrição de circulação nas grandes áreas metropolitanas, através do rateio de matrículas (pares/ímpares, por exemplo), também constam do plano.

O diretor-executivo da AIE, o turco Fatih Birol, reconheceu porém que medidas de austeridade, por si só, não vão ser suficientes.

"Retomar a navegação pelo estreito de Ormuz é a ação mais importante para restaurar a estabilidade dos fluxos de petróleo e de gás e reduzir a pressão sobre os mercados e os preços", declarou.

Segundo Birol, a atual situação causada à ofensiva militar de Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequentes retaliações na região do golfo Pérsico, é diferente da verificada aquando da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022.

"Como vimos em 2022, os governos podem intervir com medidas para ajudar os consumidores com suas contas de energia durante picos de preços. No entanto, os recursos fiscais são limitados e é vital que essas medidas sejam direcionadas àqueles que mais precisam", concluiu.

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