Ministra: Governo tem 25 milhões para reforçar infraestruturas críticas e antecipar um futuro apagão

A ministra Maria da Graça Carvalho tem boas perspetivas sobre as negociações que estão em curso entre a Galp e a Moeve. Por outro lado, faz saber que até março chega um novo .
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e EnergiaGerardo Santos / Global Imagens
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O Governo tem uma dotação de 25 milhões de euros para o reforço de infraestruturas críticas (são os casos da saúde e telecomunicações), com o propósito de preparar um eventual futuro apagão. O valor decorre de fundos europeus, adiantou a ministra do Ambiente e Energia ao Diário de Notícias e Dinheiro Vivo, esta terça-feira, 13 de janeiro.

É que o país conta já com "um reforço da rede", ao mesmo tempo que o Executivo está "a trabalhar no armazenamento" e promete criar condições para aqueles setores "terem acesso a energia elétrica em caso de um apagão" no futuro.

"Galp e Moeve? Quem se fecha, tem medo"

A ministra abordou ainda o acordo de negociações entre a Galp e a espanhola Moeve, que considera positivo para o setor. De acordo com a própria, trata-se de um caso benéfico no que diz respeito ao mercado aberto de energia, que traz aspetos positivos, a vários níveis, sem esquecer que também gera "possíveis desvantagens".

Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia
Galp e Moeve aliam-se para criar duas plataformas energéticas na Península Ibérica

O início das negociações foi conhecido na quinta-feira, 7 de janeiro, quando a energética portuguesa enviou um comunicado à CMVM. No documento, anunciou um acordo não vinculativo entre as duas empresas tendo em vista a junção dos negócios de refinação e postos de abastecimento, distribuídos por Portugal e Espanha.

As negociações envolvem a criação de uma empresa independente que ficará encarregada das áreas de petroquímica, trading, combustíveis de baixo carbono e refinação. Nesta última, estará envolvida a refinaria da Galp, em Sines, assim como as duas que são detidas pela Moeve (uma em Cádis e outra em Huelva). A participação da Galp será de, pelo menos, 20%, mas o número final ainda não está fechado.

De acordo com as palavras da ministra ao DN/DV, este projeto tem associadas "vantagens no investimento, na criação de riqueza e no emprego", fruto de ser uma empresa de grande dimensão, em linha com outros que estão a ser realizados no mesmo âmbito, no plano internacional.

Sobre o facto de a Moeve passar a ter 80% do controlo sobre a refinadora de Sines, a membro do governo não tem preocupações de maior. "Perdemos o controlo de uma refinaria? Ganhamos de duas", atirou. Ainda assim, reconheceu que há "desvantagens", mas não detalhou o tema nem que inconveniências poderiam ser essas.

Garantiu que o Governo está "otimista" e vai debater o assunto, sendo que promete continuar a "acompanhar de perto", lembrando que ter "um grupo forte e grande a defender as refinarias é muito importante", inclusive no âmbito do processo de descarbonização.

De resto, não antevê perda de soberania energética, neste contexto. "Sou muito apologista de um mercado aberto", assinalou, até porque "quem se fecha, tem medo", atirou. Mas será que o acordo final (caso haja fumo branco nas negociações) passará no crivo de da direção geral da concorrência europeia? "Estou convencida de que sim", ainda que não tenha abordado o tema ao pormenor.

Aproxima-se novo apoio de 20 milhões para elétricos

A ministra abordou o próximo concurso público de incentivo à compra de carros elétricos. Este terá que ser aprovado em Conselho de Ministros e vai ser lançado no primeiro trimestre, com a dotação de 20 milhões de euros indicou ao DN/DV. No mesmo âmbito, vai ser posto em marcha um "incentivo ao abate" de automóveis com uma idade avançada.

Na vertente dos minerais críticos, tão badalados à escala global, até no âmbito da guerra comercial, a ministra do Ambiente e Energia deixa um alerta. "Um projeto só faz sentido se beneficiar a população local, se criar riqueza e emprego e os impactos ambientais forem aceitáveis", julgados pelas entidades competentes.

Deverá ainda ser feito um "balanço global", no sentido em que Portugal deve incluir o processo na cadeia de valor portuguesa.

Noutra vertente, o executivo tem planos para desenhar uma estratégia para um "melhor convívio entre os projetos" ligados a estes minerais e às energias renováveis. E fez uma ressalva: "há bons projetos noutros países", pelo que Portugal pode aproveitar o que já existe lá fora para acelerar o processo

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