

A Moody's avalia esta sexta-feira, 22, a dívida soberana portuguesa, uma semana depois da DBRS, e os analistas ouvidos pela Lusa antecipam a manutenção da classificação, mas pode surgir uma melhoria da perspetiva.
Henrique Tomé, analista da Xtb, sinalizou que espera que a agência de notação de risco "mantenha a classificação para Portugal inalterada, apesar de os riscos associados à incerteza económica e geopolítica continuarem elevados".
"Ainda que esta agência seja a mais conservadora de todas, é preciso lembrar que as outras agências já vêm o rating de Portugal em patamares superiores. Devemos salientar o estatuto consolidado de Portugal enquanto país credível a nível europeu, um facto materializado na capacidade do país em se financiar nos mercados a custos inferiores aos de economias principais como França, Espanha e Itália", salientou.
Já Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também apontou que a "conjuntura geopolítica atual tem pressionado a inflação a nível global, forçando os bancos centrais a rever as suas políticas monetárias na direção de uma subida das taxas de juro", enquanto estes procuram ser "suficientemente cautelosos para não comprometer o crescimento económico, que tem vindo a ser revisto em baixa".
"Apesar de Portugal continuar num ciclo de desalavancagem, com a dívida pública em trajetória descendente — fator com peso relevante na avaliação da Moody's —, tal poderá ainda não ser suficiente para despoletar uma subida de rating", admitiu.
No que diz respeito às perspetivas, "parece plausível assistirmos a uma melhoria do outlook, num cenário em que a dívida deverá continuar a cair, embora a um ritmo mais lento, aliada a um crescimento mais moderado e a uma despesa estrutural mais elevada", referiu.
Henrique Tomé apontou que a Moody’s poderá alertar para os riscos associados ao aumento dos preços da energia que, "além de exercerem novas pressões sobre a inflação, podem também ter impacto em economias onde o peso do turismo é relevante, como é o caso da portuguesa".
"Um cenário de deterioração das receitas provenientes do turismo, em simultâneo com a persistência das pressões nos preços e o risco de o BCE agravar as taxas de juro, poderá contribuir negativamente para que a Moody’s seja mais conservadora em relação ao rating da economia nacional", concluiu.
Este ano, a DBRS já se pronunciou duas vezes sobre o 'rating' de Portugal, depois de em janeiro ter sido a primeira agência de notação financeira a avaliar a dívida soberana, deixando inalterada a classificação, e em maio melhorou a perspetiva para positiva.
Já a S&P, em fevereiro, e a Fitch, em março, mantiveram a classificação, mas melhoraram a perspetiva para positiva.
O 'rating' é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de