"Nossa intenção é receber o dinheiro devido", diz CEO da Azul sobre empréstimo à TAP

Companhia brasileira diz que ação contra a TAP na comarca de Lisboa "vem correndo muito bem". Azul saiu do processo de insolvência aberto nos EUA com promessa de injeção de 200 milhões de dólares.
John Rodgerson, CEO da Azul
John Rodgerson, CEO da AzulDivulgação Azul
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Após o fim do procedimento de recuperação judicial que correu nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, a companhia aérea brasileira Azul afirma que o processo que abriu na Justiça portuguesa contra a TAP segue em andamento e que a dívida vai continuar a ser cobrada.

"A nossa intenção é para receber o dinheiro que é devido, que vence esse ano", respondeu ao DN/Dinheiro Vivo o CEO da empresa, John Rodgerson, durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira, 23 de fevereiro.

Em causa está o pagamento de um empréstimo obrigacionista à então TAP SGPS, agora renomeada Siavilo. Na altura, a Azul financiou a TAP SGPS, que era a holding da TAP S.A., com o valor de 90 milhões de euros com a aquisição de títulos conversíveis em ações. Este contrato tem a qualificação de empréstimo de natureza obrigacionista, com uma série de garantias dadas pela TAP ao cumprimento do pagamento, com juros, em dez anos.

"É bem conhecido que a TAP deve muito dinheiro para a Azul. Acho que nossos sócios, a United, nosso novo parceiro American, todo mundo sabe que eles devem dinheiro para nós", completou o CEO.

A referência é às duas gigantes da aviação americana, United Airlines e American Airlines, que entraram no Chapter 11 para apoiar a recuperação financeira da brasileira, com a promessa de injeção de 200 milhões de dólares na Azul, (cerca de 169 milhões de euros).

Mais incisivo, o vice-presidente institucional da Azul, Fábio Campos, afirmou ao DN que a cobrança da dívida à TAP "é um direito" e recusou qualquer relação com a reestruturação financeira.

"A grande narrativa que foi posta em Portugal quando a gente entrou em Chapter 11 é que a Azul passou a cobrar a TAP simplesmente porque precisava do dinheiro, estava numa situação financeira difícil. Acho que agora, saindo da recuperação judicial, eu te digo que a gente vai continuar cobrando o que é de nosso direito da mesma maneira e com a mesma intensidade. A TAP não estava cumprindo com o contrato daquela dívida há algum tempo", apontou Fábio Campos.

O vice-presidente ainda recordou o historial dos últimos dois anos, quando a Azul começou a notificar a TAP de uma série de incumprimentos contratuais. "Em 2024, a gente começou a trabalhar, tentando conversar com a TAP para a gente resolver esse nosso ponto e isso não avançou da maneira que a gente gostaria que avançasse. Infelizmente, a gente teve que obviamente buscar o que está escrito no contrato".

Segundo Fábio Campos, os incuprimentos foram atestados "numa reunião dos credores", que declarou a TAP em default. "Posterior a isso, a gente levou à Justiça portuguesa, no qual a gente tem plena fé que vai continuar avaliando esse processo, porque realmente existe uma dívida, existe um contrato e esse contrato não foi cumprido".

Ao final do prazo do empréstimo, no próximo mês de março, o valor da dívida reclamada pela Azul à Siavilo será de 178 milhões de euros.

Fábio Campos não forneceu pormenores, "todas essas questões judiciais, não posso comentar muito aqui", mas garantiu que o processo no Tribunal da Comarca de Lisboa "vem correndo muito bem".

Além da injeção dos 200 milhões de dólares pelas duas empresas norte- americanas, a Azul concluiu o Chapter 11 com 850 milhões de dólares (cerca de 721 milhões de euros) recebidos em novos investimentos em ações, com uma redução da dívida e obrigações de 2,5 mil milhões de dólares (2,12 mil milhões de euros) e uma redução de mais de 50% nos juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos.

A empresa brasileira também celebrou o facto de o processo ter levado apenas nove meses, o mais rápido deste tipo a envolver companhias aéreas do Brasil, e de ter conseguido atingir as metas de operação para 2025, transportando 32 milhões de passageiros e mantendo a sua frota.

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