Nova tarifa global de 15% dos EUA beneficia China e Brasil e penaliza aliados, diz relatório

Segundo a Global Trade Alert (GTA), o Brasil será o país com a maior redução na taxa média de tarifas aplicadas pelos EUA, com uma descida de 13,6%, seguido da China, com uma redução de 7,1%.
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUAEPA/WILL OLIVER
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A nova tarifa global de 15% anunciada por Washington deverá beneficiar países como China e Brasil, enquanto penaliza aliados tradicionais dos Estados Unidos, após o Supremo Tribunal ter travado a anterior política comercial da Casa Branca, segundo uma análise.

Segundo dados divulgados pelo organismo de monitorização comercial Global Trade Alert (GTA), o Brasil será o país com a maior redução na taxa média de tarifas aplicadas pelos EUA, com uma descida de 13,6%, seguido da China, com uma redução de 7,1%.

Em contrapartida, aliados de longa data de Washington deverão sofrer o maior impacto da nova taxa, anunciada após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter considerado ilegal grande parte da anterior política comercial de Trump.

O Presidente tinha recorrido à Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas a parceiros comerciais dos EUA, mas uma decisão maioritária do Supremo invalidou essa estratégia.

Na sequência do acórdão, Trump anunciou que substituiria as tarifas impostas ao abrigo da IEEPA por uma taxa global de 10%, que elevou para 15% no sábado. A medida deve entrar em vigor hoje, sendo válida por 150 dias, após os quais necessitará de nova autorização do Congresso.

No domingo, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, defendeu o novo regime e prometeu avançar com investigações a práticas comerciais que poderão resultar em novas tarifas.

Greer afirmou que, embora a nova base legal não ofereça a mesma flexibilidade da IEEPA, a Administração norte-americana pretende assegurar "continuidade" no atual programa tarifário, recorrendo a investigações que justifiquem a imposição de taxas adicionais.

Segundo o responsável, o aumento da taxa global de 10% para 15% deveu-se à "urgência da situação", que exige o "uso pleno das competências presidenciais".

Greer garantiu ainda que tem mantido contactos com parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, sublinhando que nenhum país indicou intenção de abandonar os acordos já celebrados com Washington.

Citado pelo jornal britânico Financial Times, o economista Johannes Fritz, diretor executivo do GTA e autor da análise, afirmou que países como China, Brasil, México e Canadá – anteriormente visados por ordens executivas específicas ao abrigo da IEEPA – foram os que mais beneficiaram com a alteração do regime.

Fabricantes asiáticos como Vietname, Tailândia e Malásia, frequentemente criticados por registarem elevados excedentes comerciais com os EUA, também deverão beneficiar, em especial nos setores do vestuário, mobiliário, brinquedos e plásticos.

Mas Greer adiantou que o seu gabinete prevê abrir investigações por práticas comerciais desleais relacionadas com excesso de capacidade industrial, que poderão abranger vários países asiáticos.

O responsável acrescentou que a nova tarifa global não deverá afetar a próxima reunião entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, destinada a "assegurar a estabilidade e o cumprimento dos compromissos assumidos" por Pequim, nomeadamente na compra de produtos agrícolas norte-americanos, aviões da Boeing e no fornecimento de terras raras.

Fritz alertou, contudo, que o futuro do regime tarifário permanece incerto, uma vez que a administração norte-americana sinalizou a intenção de recorrer à secção 301 da Lei do Comércio de 1974 para impor medidas adicionais específicas por país. Os EUA já iniciaram investigações ao abrigo dessa disposição relativamente ao Brasil e à China.

A nova taxa global deverá afetar particularmente aliados cujas exportações para os EUA estão concentradas em setores como aço, alumínio e automóveis, já sujeitos a outras tarifas que permanecem em vigor.

A Comissão Europeia exigiu "total clareza" por parte de Washington, defendendo que a situação atual não é favorável a um comércio transatlântico "justo, equilibrado e mutuamente benéfico", conforme previsto no acordo entre a UE e os EUA.

"Acordo é acordo. Enquanto maior parceiro comercial dos EUA, a UE espera que os compromissos assumidos sejam respeitados", declarou a instituição.

Donald Trump, presidente dos EUA
Tarifa global de 10% entra em vigor. Ameaça dos 15% motiva incerteza

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