Novo líder da Fed resiste a Trump em Sintra. "Somos um banco central independente, não veremos mudanças nisso"

"Vamos entregar estabilidade de preços nos EUA. Foi isso que este comité se comprometeu a fazer. A tática, a estratégia e o resto ainda está para vir", prometeu Kevin Warsh, no Fórum BCE.
Kevin Warsh, presidente do sistema de bancos centrais da Reserva Federal dos EUA (Fed). Sintra, 1 de julho de 2026.
Kevin Warsh, presidente do sistema de bancos centrais da Reserva Federal dos EUA (Fed). Sintra, 1 de julho de 2026.Sérgio Garcia/Your Image for ECB / Banco Central Europeu 2026
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"Somos um banco central independente há muito tempo. Somos um banco central independente agora e não veremos mudanças nisso", garantiu o novo presidente do banco central dos Estados Unidos da América, a Reserva Federal (Fed), quando questionado sobre se lhe "importa o que o Presidente quer". Este último "Presidente" é Donald Trump, que há meses reclama à Fed descidas de taxas de juro.

Foi assim a estreia de Kevin Warsh, o líder da Fed, num dos seus primeiros encontros de banqueiros centrais e calhou ser em Sintra, Portugal, no Fórum BCE (Banco Central Europeu).

Já no final dos finais, a anfitriã, a presidente do BCE, Christine Lagarde, despediu-se dos "amigos" que reviu e fez em Sintra e coroou o seu discurso de despedida e encerramento do Fórum com a palavra "saudade" e disse que não leu todo o texto que tinha na mão porque a parte final encomendou-a ao seu "agente de inteligência artificial que leu os artigos científicos todos" apresentados nestes três dias (segunda a quarta-feira de Fórum BCE). Resultado: o texto feito pelo robô ficou "aborrecido de morte".

Pouco antes de Lagarde subir ao púlpito, esta quarta-feira, no debate que encerrou os três dias do encontro anual do BCE, Warsh, nomeado por Trump em janeiro, tendo assumido este novo cargo a 22 de maio passado (para um mandato de quatro anos), celebrou por diversas vezes as coisas boas que a IA irá trazer à economia (mais investimento, produtividade, crescimento).

Fez isso e, muito importante, acenou que a Fed vai manter a sua independência face aos desejos de Trump, que, recorde-se, este ano empurrou para fora da presidência do banco central o anterior governador, Jerome Powell, por este não cortar juros de forma pronunciada.

Mas aproveitou o embalo e também acabou por se defender de eventuais ataques e insistências do Chefe de Estado no futuro, tranquilizando os mais temerários em relação a subida dos preços, dizendo que há vários indicadores que apontam para um arrefecimento da inflação num futuro próximo, o que, pode-se dizer, facilitará o trabalho que será agradar a Trump.

"As expectativas de inflação nos primeiros quatro meses, nas primeiras quatro semanas deste período [do seu mandato], desceram. Os riscos de inflação diminuíram", atirou Kevin Warsh.

"Vamos entregar estabilidade de preços nos EUA. Foi isso que este comité de governadores se comprometeu a fazer. E o nosso objetivo é fazê-lo. A tática, a estratégia e o resto ainda está para vir" e acrescentou: "se houver pessoas no sector empresarial, nos mercados financeiros, que pensaram que este banco central se sentiria confortável com um objectivo de inflação acima dos 2%, bem, penso que vão ficar desiludidas".

(em atualização)

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